PSYCHOLOGICAL TERROR

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Apresentamos hoje o trabalho "Psychological Terror" que numa tradução mais livre quer dizer "Terror Psicológico". Inspirados por um tema delicado e complexo que é a depressão, fomos além da ideia inicial e acabamos realizando um trabalho que envolve também quebra de laços, baixa autoestima, revolta e paranoia. Continuamos utilizando poemas como inspiração, mas a música também se fez presente e tem por objetivo dar mais vida e "movimento" a obra. Senhoras e senhores, confiram esse belíssimo trabalho:

O Corvo

"[...] Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais. [...]"

Edgar Allan Poe - Tradução: Machado de Assis
Acesse o poema completo para entender melhor a justificativa do ensaio.

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A obscuridade desse poema é gritante e uma especie de "ficção realista" nos traz a morte como sendo a protagonista da história por decorrência da presença metafórica e constante do corvo e do ambiente "carregado". Assim como na narrativa de Poe, as fotografias desse ensaio refletem a dor e a dificuldade de superação de uma pessoa que teve um laço quebrado. Edgar parece ter um anseio em relação ao fim do seu padecimento naquele quarto silencioso e "assombrado". Nosso cenário, que também é um quarto, foi escolhido propositalmente, pois para a nossa personagem permanecer isolada seria a unica maneira de se "proteger" das demais decepções que foram imaginadas na dor.

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O terror sentido pela intérprete não estava na noite e na solidão, mas o que a assombrava era o descontentamento consigo mesma. Nesse caso, a "loucura/tristeza/desgraça" interior foi refletida na atual forma física da personagem, ou seja, o desleixo consigo mesma. Ao decorrer do poema, percebemos que em algumas situações da história o protagonista tenta convencer a si mesmo de que várias "cenas" não são reais. Nossa personagem tenta agir da mesma forma, mas utiliza de recursos para "fugir" da insanidade, mas sem perceber acaba induzindo a si mesma para a beira do abismo.

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Nesse cenário, os elementos presentes propõem, a primeira vista, um tom poético melancólico e saudosista que influencia a personagem a mergulhar no mar da dor. A busca pela fuga no tempo e no espaço para relembrar os acontecimentos antes do sofrimento ditar suas regras também são estratégias usadas pelo escritor para lembrar de sua amada.

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Também exploramos a solidão como um ponto de introspectividade necessária e o pessimismo provocado pela má compreensão dos pensamentos na solitude. A falta de amor próprio foi só uma decorrência do desespero interno que mesmo após um perda induz a valorização de lembranças, tornando nossa personagem incapaz de acomodar as mudanças e valorizar o presente.

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A autodestruição já está em vigor a partir do momento em que nossa personagem busca refugio no cigarro e em bebidas alcoólicas para conseguir esquecer de si, do próximo e do mundo. O desgosto é tamanho que no auge da loucura as decisões tomadas pela mesma são imensuráveis.

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As lembranças que deveriam ser "superadas" pela nossa personagem estão dentro de sua cabeça, mas a insanidade provocada pelo sentimento de abandono, de incapacidade, de frustração e tristeza fez com que ela projetasse todos os sentimentos negativos em objetos que pertenciam respectivamente a quem a machucou: nesse caso, a raiva foi depositada num mero urso de pelúcia.

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"A vida parece desaparecer
Esvaindo-se todos os dias
Me perdendo dentro de mim mesmo..."
Nada importa, ninguém mais..."
Metálica - Fade to Black

Tamanha fora a decepção, ou o turbilhão de sentimentos, que sua alma se perdeu num vulto que se auto preenche de infelicidade, frustração, desmotivação, insatisfação consigo mesma, prosaica, incapaz de sonhar um futuro ou de ter esperança e que carrega a frustração pela vida, o desencanto pelas mais simples belezas e a profunda atração pela inexistência.

"Sem nunca vencer
Mas nunca ganhar..."

Rush - Resist

E, finalmente, naquele quarto já não havia mais um belo sorriso e sim lábios quietos; não havia mais olhos vivaz e sim um olhar caído e molhado; não havia mãos delicadas e sim fechadas; não havia cabelos vívidos e sim fios desajeitados; não havia toques tênues e sim pele gélida; não havia doces palavras e sim ataques. Pois aquele quarto hoje apenas resguarda em segredo a tortura psicótica de um coração sem lucidez.

"Quando você diz que vai acontecer "agora"
Bem, quando exatamente você quer dizer?
Veja, eu já esperei demais
E toda minha esperança se foi..."

The Smiths - How Soon Is Now



Quero agradecer a Jade Tresca por participar desse projeto. Agradeço também a minha avó que nos concedeu a locação. No flickr temos mais imagens dessa captura intensa, clique aqui e confira!