VÓ, OBRIGADO POR TUDO


Não tenho o que dizer, mas gostaria de te agradecer por tudo que me ensinou e por tudo que já fez por mim. Sei que eu talvez não tenha feito muito nesses seus últimos momentos em vida, mas saiba que a minha dor eu guardei para mim, pois não me parecia certo te enfraquecer com o meu medo, o meu medo de te perder.

Hoje meu coração parou de bater junto com seu e minha história deixou ser escrita junto com a sua. Nesse momento de blecaute eu pudi me recordar de você no seu melhor momento, naqueles momentos em que você era apenas a minha avó. Como poderia eu me esquecer de você cozinhando todos aqueles pratos únicos usando seus temperos fortes e marcantes? Como poderia eu me esquecer de você fazendo aquela maravilhosa coxinha e aquela suculenta cocada? Como poderia eu me esquecer de você descendo aquele morro depois de um passeio pela cidade? Como poderia eu me esquecer de todos os seus trejeitos, da sua fé, da sua motivação, da persistência e de todos os seus ensinamentos?

Você, minha amada vó, confiava em mim como ninguém jamais confiou! A senhora, minha estimada vozinha, me atribuía tarefas de sua inteira confiança sem temer e sem duvidar jamais de que eu poderia realizar qualquer coisa que eu quisesse. Você me amava sem pedir nada em troca. Eu te amo sem nunca ter tido qualquer pretensão.

Você me deixou hoje, mas eu jamais te deixarei. Você sempre será apenas a minha avó.

Hoje, e para sempre, cada parte do meu corpo sente a sua falta.

Posso te agradecer? Muito obrigado!

Espero te encontrar o mais rápido possível para comermos acarajá juntos! Espero em breve poder te dar um abraço bem forte!

Eu prometo que logo volto a seguir a minha vida normalmente. Prometo que logo meu coração volta a bater e minha história volta a ser reescrita.

Eu para sempre vou te amar e nunca vou deixar que ninguém te esqueça. Contarei a todos como e quem era a minha vó.

Te amo muito!


Me desculpa por não ter tido forças e nem chance de ter dito isso pela última vez pessoalmente.

Até breve.

Do seu neto,
Tiago Lima.


Dedicado a Marinalva Maria de Jesus Silva, minha amada avó que me deixou hoje.
Bragança Paulista, 11 de novembro de 2016.