21.10.15

CONTENTE POR PODER FUGIR

CONTENTE POR PODER FUGIR

Esses dias olhei para trás e, no extremo silêncio, pude ver um longo rastro de dor. Distante de toda alegria, fui perdendo o orgulho de ter conseguido chegar tão longe. Nunca é fácil, não será simples e nada será tão diferente do que um dia foi. Os sorrisos que camuflaram a dor eram apenas quebra-galhos que me livraram de tantas perguntas. Muita coisa foi antecipada por pura burrice e o que aconteceu antes do tempo foram apenas erros irreversíveis. Numa visão voltada para uma realidade alternativa, pude ver um contentamento interno e externo que me fazia enxugar as lágrimas.
 Nessa realidade haviam pessoas adoráveis e tudo era como uma grande alegria sincronizada. Sei que quando voltar para realidade serei induzido pela cegueira a traçar estradas doloridas de novo. A última vez que ri ao ar livre, vi uma pessoa quase que perfeita me estendendo as mãos. Seu sorriso me transmitiu confiança e seu olhar me fez sentir a paz que tanto almejo. Ainda sou um velho jovem e posso continuar fugindo. Esses dias o vento me visitou e soprou minhas visões, minhas ilusões e sonhos para longe. A minha carcaça também foi parar longe. Quando senti o vento cessar, percebi que as luzes estavam apagadas e mais uma vez decidi fugir. Minha alma está tão fria e meu coração está duro feito uma rocha. Aqui, dentro de mim, os desejos soam feito trovões e cada piscadela de olho ilumina tudo a minha volta como relâmpagos iluminam o céu. Não sei se fico satisfeito por me sentir um velho jovem, mas estou extremamente contente por poder fugir quando sinto que não aguento mais.