COMO PEGADAS - VISUAL TEXTO


Nunca quis construir grandes castelos e muito menos causar uma boa impressão por todo lugar que eu passasse. Eu jamais almejei ser eterno ou ter minhas decisões e ações eternamente grudadas em mim. Quero deixar meus passos por todo lugar até que eu consiga voltar para casa, até que eu consiga não me esquecer de tudo que fez parte da minha composição.

Não quero que a acusação ou que o julgamento me façam lembrar que em todo trajeto que fiz eu estava lá. Quero me lembrar de ter passado por todos os lugares que passei fazendo uso apenas das memórias que me compõem. Quero me recordar dos meus acertos e dos erros sem ter que ser cobrado por isso.

COMO PASSARINHO


Livre como passarinho
Voando por aí sozinho
É assim que escolhi viver
Sem fazer morada

Como passarinho
Quero fazer meu ninho
No alto de uma árvore
Para ver o mundo caminhar

O MONÓLOGO DE MATTEUS PORTILLO

Escrever para mim sempre foi uma necessidade, mas eu não teria desenvolvido esse dom se não fosse pela leitura. Ler é a minha porta de abertura para fugir da realidade e essa possibilidade é que me faz ter como paixão esse hábito. É exatamente por esse motivo que hoje vou falar sobre um escritor que me tem como leitor, o meu amigo Matteus Portillo.

Reprodução: Fotografia retirada da página do G+ do autor.
Nunca tive um estilo e/ou gênero de escrita favoritos, mas, como poeta, sempre fui atraído por poesias. Como escritor, sempre me vi distante dos parâmetros e regras que regem a construção textual por simplesmente me considerar livre para atribuir meus próprios moldes aos meus escritos e, seguindo essa linha, encontrei essa característica em comum com o autor do Monóloguz.

COROA DE ESPINHOS


Ele temeu, exitou
Parou no meio termo
Mergulhou em receio
Ele estagnou, enfraquecido
Parou no meio da estrada
Mergulhou em apreensão

Permitiu-se sentir dor 
Enquanto crescia o rancor
O horror de ser homem
O levou ao temor, pânico
Esqueceu que era gente
Que podia ser só gente

Ele caiu, exausto 
Se manteve ao chão
Preso em grilhões
Viu milhões seguindo
Enquanto que segurava o choro
Tinha que mostrar sorriso

ENSAIO FOTOGRÁFICO - "RAÍZES DE UM VELHO AMOR"

#RESPEITEMEUSCABELOSCRESPOS

Noemi Mendes

O texto vem acompanhado de uma canção sendo cantada pela voz doce de Diana Ross, chamada Do You Know Where Youre Going To, sugerimos que leia o texto acompanhando a canção.
  Raízes de um velho amorRaízes de um velho amor

Todos os jovens são vistos como anjos iluminados por uma luz divina, suas asas simbolizam seus sonhos que são terrivelmente podados pela vida, sua coroa de flores simboliza a esperança que tem seu próprio tempo para florescer. O dente-de-leão mencionado é o desejo de realizar o que tanto almeja, aquela sensação de flutuar é o famoso friozinho na barriga. E com essa introdução de poesia eu convido os leitores a renascerem como anjos...

Não me prenda em uma única dimensão, me deixe ver minhas opções, me deixe viver enquanto não tiram meu sonho, meu sonho de apenas “ser”. O ensaio fotográfico - Raízes de um Velho Amor, é composto por traços de juventude.

A MORTE DE MARIELLE E O RENASCIMENTO DE TODOS NÓS

Jade Tresca


Foi numa quinta-feira pela manhã que eu recebi uma mensagem de uma amiga: “Você ficou sabendo da morte da Marielle Franco?”. Na hora, pelo nome, não conseguia me lembrar quem era essa mulher, pois a conhecia apenas por foto. 

Marielle era mulher, negra, mãe e cria da favela da Maré. Se formou em ciências sociais e fez seu mestrado em administração pública. Foi defensora dos Direitos Humanos e vereadora do Rio.

Não me sinto orgulhosa em dizer que eu não conhecia muito o trabalho e a história de Marielle. Mas naquele momento, ao me deparar com sua brutal execução e ao entrar em contato com sua luta, posso dizer que a bala que a feriu me feriu por dentro também como se eu fosse um ente querido. Mas por que senti em meu peito tamanha dor? Talvez por ser uma mulher simples e batalhadora que lutou até a morte? Por ter sido uma mulher que correu atrás dos seus sonhos? Sim, mas principalmente por ser mulher. Mulher como eu, como você que me lê. Mulher, mesmo que você, leitor, não seja. Senti sua dor. Senti uma imensa identificação com essa figura que nunca tive a oportunidade de conhecer pessoalmente na vida. 

Marielle lutou pelas mulheres. Em um vídeo em que divulga o seu trabalho, ela diz: “Para nós, mulheres, luta é cotidiano. Nós sentimos todos os dias os seus reflexos. Quando levamos nossos filhos para a escola e não tem aula. Quando temos que trabalhar e não tem vaga nas creches. Sentimos quando somos desrespeitadas nos transportes. Desvalorizadas no trabalho. Assediadas nas ruas. Violentadas em casa. E entre os becos e vielas da favela, sobreviver é a nossa maior resistência. Agora chegou a nossa vez. Vamos ocupar o nosso lugar na cidade e na política. Ter o que nos é de direito. Nossa voz, muitas vezes silenciada, terá de ser ouvida. Agora é para fazer valer. Sou força, porque nós somos. Sigo, porque seguiremos todas juntas. Eu sou Marielle Franco, mulher, negra, mãe, da favela. Eu sou porque nós somos.”

VONTADE DE VIVER

Jade Tresca


A vontade de viver não nasce com a gente. É aquilo que nos move, mas aquilo que podemos passar a vida sem sentir também. Vamos existindo em meio à responsabilidades que a vida trás, contando os segundos para a semana acabar. Ao final, vivendo apenas de sábado e domingo. O estresse do dia a dia, que nos consome o físico e o psicológico, nos faz sentir, por um segundo, uma vontade imensa de desaparecer.

Então um dia ouvi: “Se eu pudesse, venderia coco na praia. Ganharia menos, mas seria mais feliz e teria mais tempo para a minha família”. Sentir a angústia de estar preso a um “mal necessário” e de sobreviver ao invés de viver foi cruel. Ouvi também: “Se eu pudesse voltar no tempo, eu faria tudo diferente e seria bem mais feliz. Tenho sorte de ainda estar aqui”. Pessoas falando que farão tais coisas quando estiverem ricas, que vão retocar e levantar aqui e ali, que vão aproveitar a vida e, finalmente, serem felizes. Há também quem diga que está fadado à infelicidade por ser do jeito que é.