'VOCÊ NÃO É PROBLEMA MEU': NEURODIVERGÊNCIA E DESCARTE
Escrevo há quinze anos, o que significa que há quinze anos arquivo ausências e transformo o desterro em literatura. Para quem opera no mundo sob a lógica da intensidade — onde o sentir rejeita os amortecedores da normatividade e assume a crueza da atipicidade —, a existência sofre tentativas compulsórias de asfixia. As pessoas chegam, transitam pela história, assustam-se com a voltagem do ser e batem em retirada. No entanto, o contorno dessas partidas guarda uma perversidade cirúrgica: o abandono não se dá no vazio, mas se consolida como um castigo colonial por meio de violências que buscam delimitar o sujeito. Quando a nossa escrita e a nossa mente se recusam a ser domesticadas, a autonomia aterroriza e o outro escolhe a renúncia do afeto.
