7.2.16

O TEATRO DA VIDA

Já conheci uma boa parte do mundo. Os meus instrumentos de aventura já me levaram para longe e já me trouxeram de volta para o meu "lugar de origem". Já capturei algumas fotos perfeitas, já compartilhei dezenas de sentimentos, já conheci quase todas as cores e já disse muitos "até breve". O sentimento único de amar as coisas e admirar a veracidade dos fatos tem me acompanhado há algum tempo e não quero mais pensar tanto e ter de criar um roteiro para toda situação. Como uma criança inocente, eu ainda voltarei a amar sem medo das consequências. Eu me sinto vinte anos mais velho e, ao mesmo tempo, dez anos mais jovem. Minha alma viveu por muito tempo se sentindo velha e, por decorrência, foi invalidada por mim diversas vezes...

O teatro da vida

Andei pelo escuro até conseguir encontrar uma luz. Ontem estive no palco da vida com todos os holofotes voltados para as minhas ações e decisões. Fui guiado por anjos e assistido por demônios. Não tive em mãos um script ou as falas certas, por isso sempre acabei errando. Não tive em meus ouvidos uma voz constante dizendo o que devo fazer e nem possuí um cenário bem feito, por isso acabei sempre perdido. As cortinas estiveram por muito tempo sempre abertas e meu espetáculo nunca havia saído de cartaz, mas a plateia sempre estava se renovando. Fitei muitos olhares estranhos, porém sempre os retribuí com meus votos de desconfiança.

Parece que alguma revolução está acontecendo no palco da minha vida. Eu sinto uma mudança de personagem e uma possível mudança de papel. É tudo novo? Tudo está se reciclando e o que antes não tinha seu lugar certo, agora foi devidamente acomodado. As cortinas estão fechadas e as luzes estão apagadas, mas continuo aqui no palco vivendo o espetáculo... Atrás das cortinas estou protegido dos olhares e não tenho minhas ações vigiadas ou cobradas por portadores de falsas expressões...