A VIDA INJUSTA EU JÁ ACEITEI

Por Tiago Lima - 6.4.19
Fotografia de Olívia Vieira para o projeto "Abril 30/30" do Limoções.
E se eu deixasse o que sobrou de mim ir para qualquer lugar sem que eu necessariamente precise ir junto, será que eu me esvaziaria do passado, deixaria para trás o que ficou lá trás e seria novo a cada novo passo? E se eu decidisse abrir mão das experiencias, das vitórias e dos fracassos somente para conseguir ser novo a cada novo passo, deixaria para trás as lágrimas que chorei e os sorrisos que não dei? Se eu simplesmente escolhesse abandonar as minhas escolhas e perdoar os meus desgostos, me fizesse pedacinhos e parasse de trilhar caminhos que já trilhei, será que seria possível ser algo além das quatro estações que já vivenciei?

Não quero mais ser outono, não espero mais o verão, não temo mais o inverno e as belezas da primavera já não me seduzem mais. Não sei se deixei de ser o que construí ou se desisti de sentir o que me propus a cultivar. Não quero mais me encher de anseios, de desejos, me obrigar a cultivar lindos jardins a me abrigar das tempestades. Sei que sempre serei o reflexo dos caminhos que trilhei, mas cansei de não superar as folhas secas que foram ao chão. A vida injusta eu já aceitei, então não quero mais ter que engolir as flores que não plantei, os jardins que não cultivei e os passos que deixei de dar.

Não tenho a obrigação de ser casa arrumada, de ser passos dados em uma estrada, de ser flor desabrochada e de estar com as certezas em minhas mãos.


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