30.5.16

SENTADINHO

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Quando os dias começaram a passar eu me perguntei se seria viável somente sentar e ver cada coisa que eu conhecia mudar. Nunca foi fácil, pelo menos para todos aqueles que eu conheço, viver a vida inteiramente satisfeito. Eu pudi contemplar muitas histórias terminarem e outras começarem, mas a minha própria eu havia deixado de continuar a escrever... Nunca fui visto com simplicidade e jamais vi minha própria vida de maneira simples, mas hoje eu peço para simplesmente ser simples ou simplesmente ser eu. O coração de todos nós gosta de ficar quietinho e acomodado, mas, pelo menos no meu caso, não consigo somente satisfazer o meu coração. Eu continuei sentadinho vendo as transformações alheias e no auge do meu comodismo tive medo de me transformar em leão.

Bem diante de mim estavam colocados sobre a mesa o papel e a caneta, mas eu os olhava com tanto receio que decidi ignorar a presença de ambos. Fui rasgado ao meio quando minhas palavras me sufocaram. Não consigo encontrar conforto em tudo que está a minha volta e muito menos consigo me render a qualquer droga para esquecer tudo que sou. Quando não pude mais aguentar, voltei correndo e peguei o papel e a caneta e me joguei ao chão para gritar em silêncio, para desenhar palavras e para dizer que não sou o mesmo de ontem e, provavelmente, não serei o mesmo de amanhã. Eu coloquei em cada centímetro daquela folha o que eu sentia e, ao mesmo tempo que estava ofegante e cansado, aliviado e vivo eu me sentia.

Eu não posso ficar parado. Eu não consigo gostar do conforto. Eu não posso ficar apenas sentado assistindo a vida acontecer, mudar, se renovar, se transformar e se reinventar. Talvez eu seja o maior inimigo da rotina ou o pior inimigo do comodismo, mas eu só consigo estar vivo se eu estiver fazendo o que gosto. Talvez eu seja aquele mero figurante que se prestou a ser figurante somente para ter o gostinho de fazer o que gosta. Talvez eu seja um rapaz que será diagnosticado com hiperatividade, mas eu realmente preciso estar feliz fazendo o que gosto. Eu vou continuar aqui escrevendo a minha longa história e lutando para mudar todas as minhas trajetórias, pois eu não posso apenas ficar sentadinho vendo a vida acontecer.