CRÔNICA: QUANDO COMECEI A ESCREVER


Quando alcancei a adolescência, mergulhei num mundo muito complicado de se entender, mergulhei dentro do meu mundo interior, aquele que mais ninguém tem acesso. Fiquei por muito tempo revoltado, insatisfeito e me sentindo inferior por sempre estar preso em cada palavra que resistia dentro de mim. Foi quando descobri que poderia colocar as minhas palavras para fora, eu poderia escreve-las.

Ao decorrer da minha passagem pelo o ensino médio pude confirmar que jamais poderia eu ser bom com números, por esse motivo minhas notas eram sempre decadentes nas exatas, portanto decidi me aproximar das linguagens, da língua portuguesa - uma aproximação que me cativou a ser, ou pelo menos tentar, amigo de todos os meu professores da área.

Naqueles primeiros anos me dediquei a corrigir erros primários de gramática na minha própria escrita e decidi enriquecer o meu vocabulário - coisas que faço até hoje - e minhas redações sempre retornavam para as minhas mãos sem aqueles rabiscos de tinta de caneta vermelha que fazem os professores quando estão a corrigir. Por esse motivo ganhei forças para tomar coragem de, enfim, falar sobre tudo que me sufocava durante aquele período conturbado e surreal que foi a minha adolescência. Mas lembrei-me recentemente que mesmo tendo tendo certa desenvoltura nas minhas composições acadêmicas, jamais fora eu incentivado por alguém naquele tempo.

Comecei a escrever sobre mim, sempre baseado em minhas experiencias. Como o hábito da leitura nunca fora cultivado e/ou estimulado por meus pais, tardei em descobrir a literatura, mas sempre me encantava pela a escrita de diversos autores que conheci nas rodas de leitura da escola. Primeiro comecei a escrever para depois começar a ler, portanto não tenho como dizer que alguém foi minha inspiração.

Escrevi muita coisa. Passei a escrever compulsivamente. Muita coisa se perdeu e muita coisa fiz questão de perder, pois não me sentia bem com a minha escrita e morria de medo de alguém ter acesso ao meu desabafo literário. Fui inseguro até obter meu primeiro bloquinho - esse mesmo bloquinho da foto que me acompanhou para cima e para baixo e existe comigo até hoje. A partir da minha sempre insaciável necessidade de poder dizer o que sentia, fui aprimorando a minha escrita que jamais fora norteada por gêneros textuais ou desenvolvida perante algum regime de regras.

No final, sempre serei grato aos meu professores de língua portuguesa que jamais me iludiram ou me desesperançaram. Sempre os agradecerei por naquela época terem me deixado livre e só para me desenvolver. Serei grato por sempre terem se limitado a responder as minhas simples perguntas.