1, 2, 3 E ENGULA ESSAS PALAVRAS!

1, 2, 3 e engula essas palavras!

Poeta não pode ser magoado. Homem não pode sentir nada. Não sei quando vou conseguir compreender que as pessoas não ligam se estou em pé no palco ou caído na sarjeta. Eu desliguei o telefone, excluí os aplicativos e fechei todas as contas. Não consegui entender o motivo de ter levado tanta ofensa para o meu coração. Não entendi o porquê de estar no chão. A dificuldade de engolir as palavras que tanto me feriram foi notória. Já não sentia o amor a tanto tempo e hoje eu quero ele longe de mim.
Eu fui obrigado a engolir e fui embriagado por tanto ódio. Vivi pela última vez ontem e não sei mais como será o amanhã com a minha ausência. Não tenho asas para voar e sinto minhas lágrimas escorrendo. Não quero ter que aguentar firme. Olhei para o abismo da tristeza de olhos fechados, mas o medo me fez os olhos abrir e aqui estou imóvel e totalmente indignado com tamanha profundidade. O anteontem foi quem me viu firme e cheio de vida. Agora ouço as inverdades ditas por quem não aceita a dor alheia e vejo a indiferença de quem não considera a decepção do próximo. O sol brilha lá fora e eu continuo preso na escuridão das palavras. Um caos causado pela hipocrisia e uma tormenta causada pela indiferença são as minhas únicas companhias nesse silêncio. Preciso ir embora, quero sair de cena e tenho a necessidade de ser esquecido. Não sou o bem e nem o mal, mas sinto vergonha, sinto medo, sinto raiva, sinto dor e sinto revolta. Vou me esconder para minha própria proteção, vou costurar meus lábios para minha própria proteção, vou destruir meu cérebro para minha própria proteção, vou cortar minhas mãos para minha própria proteção e vou dormir até um verdadeiro amanhecer me acordar. A vida segue e eu também. O amor esfria e eu também. A indiferença fere e as minhas palavras também. As palavras matam e eu morro também.