NUNCA PASSEI DE UMA AMEBA

Por Tiago Lima - 1.12.15

Na escuridão, continuo resistindo contra todo sentimento contraproducente, e acredito que essa cela é o lugar mais seguro do mundo! Deixei de esperar da vida as coisas boas, cansei de acordar imaginando um lugar menos destrutivo, abandonei o sentimento de esperança constante e acabei deixando essas desilusões na luz.
Eu já sei que fiz escolhas erradas, eu já sei que a escuridão e o silêncio são interpretados de maneira errada, também já sei que sentar e ver a vida passar não é a melhor maneira de vivê-la e também já concluí que a minha vida é minha! Eu já provei da felicidade e fui envenenado pelas surpresas que a acompanham nesse banquete de fantasias. Sim, eu ainda tenho sentimentos! Sim, eu ainda tenho um coração! Sim, eu ainda respiro o mesmo ar que todos! Sim, eu ainda sonho! O perigo ronda meus desejos e, algumas vezes, acabei me tornando o maior perigo dos meus próprios anseios. Não tenho medo do mundo, mas temo e resisto os afetos volúveis dessa atualidade fútil e totalmente superficial. Eu sempre acabo mal interpretado, ou metralhado pelas balas do rancor. Nunca entendi o porquê de um dissabor provocado por uma pessoa - que é tão propensa a errar - é guardado por tanto tempo. Um erro meu foi pensar que a minha nova capacidade de demonstrar compreensão e a recém comprada habilidade de me desligar das pessoas não seriam usadas como arma contra meu próprio ser. Quem disse que me importo? Durante muito tempo a desolação e eu mantivemos uma relação lastimável, mas hoje caminhamos juntos e felizes. Eu me daria ao mundo para ser usado como alvo de uma série de tiros. Eu não me importo se decidirem apontar o dedo na minha cara para dizer que sou um bosta e que nunca passei de uma ameba. Jamais choraria por criticarem minhas decisões. Não é amor próprio, é um "não estou nem aí"! Eu já me perguntei uma vez; quantos tiros mais você conseguirá suportar? A resposta chegou hoje; todos que eu puder suportar! Eu não quero ter que depender de uma musa e/ou de um muso. Eu não quero precisar gritar socorro para um herói e/ou uma heroína. Eu não quero que a solidão e a desgraça me obriguem a implorar um abraço. Eu não preciso fingir que gosto, que me importo e que sou amigo de verdade. Eu já dei a minha vida a causas sem pilares sólidos e acabei no lixão da carência, mas foi exatamente lá que encontrei minhas novas vitórias. Eu não preciso ser entendido, compreendido e assimilado, mas preciso ser capitado, sentido e experimentado. Se todas as manhãs ainda me obrigo a aceitar que ainda tenho sentimentos é porque eu gosto de perceber o quanto minha vida não é importante. Eu já venci a guerra provocada pela luz e agora compreendo que ser alvejado pelas balas da hipocrisia e pelos olhares perdidos faz parte da vida de alguém que decidiu viver nas sombras.

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