Como na primeira vez que me senti diferente, voltei ao mesmo ponto de partida. Não tinha rotina ou eventualidade, não tinha sol ou chuva, não tinha sorrisos ou lágrimas e não tinha muita coisa diferente. Eu simplesmente retornei ao ponto de partida para mais uma vez cometer o mesmo crime. Não fui pego da primeira vez que me assassinei em palavras. Ninguém me procurou depois que meu corpo caiu ao chão. Ninguém me sentiu ausente quando o meu coração parou. Eu simplesmente retornei ao ponto de partida para conversar com o que de mim havia aqui ficado. Retornei para olhar ao fragmento de mim que me esperou voltar desde a minha última partida. Me lembro muito bem que naquele momento o que eu sentia era uma verdadeira agonia. Me recordo com destreza que o que eu sentia era maior que qualquer palavra. Jamais poderia esquecer que jurei nunca mais encontrar o que de mim eu havia deixado para trás. Não voltei ao meu ponto de partida por sentir o mesmo que a primeira vez. Não retornei aqui para ver o sofrimento dos meus próprios fragmentos que perturbadoramente gritam chamando o meu nome. Eu voltei aqui pelo mesmo motivo aparentemente: ser mais uma vez o meu próprio assassino. Eu precisava ouvir os pedaços de mim chamando o meu nome de maneira agonizante...
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