PONTO DE PARTIDA

By Tiago Ferreira - 8.8.16

Como na primeira vez que me senti diferente, voltei ao mesmo ponto de partida. Não tinha rotina ou eventualidade, não tinha sol ou chuva, não tinha sorrisos ou lágrimas e não tinha muita coisa diferente. Eu simplesmente retornei ao ponto de partida para mais uma vez cometer o mesmo crime. Não fui pego da primeira vez que me assassinei em palavras. Ninguém me procurou depois que meu corpo caiu ao chão. Ninguém me sentiu ausente quando o meu coração parou. Eu simplesmente retornei ao ponto de partida para conversar com o que de mim havia aqui ficado. Retornei para olhar ao fragmento de mim que me esperou voltar desde a minha última partida. Me lembro muito bem que naquele momento o que eu sentia era uma verdadeira agonia. Me recordo com destreza que o que eu sentia era maior que qualquer palavra. Jamais poderia esquecer que jurei nunca mais encontrar o que de mim eu havia deixado para trás. Não voltei ao meu ponto de partida por sentir o mesmo que a primeira vez. Não retornei aqui para ver o sofrimento dos meus próprios fragmentos que perturbadoramente gritam chamando o meu nome. Eu voltei aqui pelo mesmo motivo aparentemente: ser mais uma vez o meu próprio assassino. Eu precisava ouvir os pedaços de mim chamando o meu nome de maneira agonizante...

Como da primeira vez que estive aqui, me sentei e refleti. Havia me esquecido que o tempo passa rápido demais quando estou fazendo minhas análises - estou olhando para um céu escuro agora. Existe uma única luz a me iluminar e essa é a minha habilidade de ser o senhor das minhas escolhas. Por conhecer o pior e o melhor de mim é que me assassinei da primeira vez. Por conhecer o pior e o melhor de mim é que sou o senhor das minhas palavras. Eu não desisti de viver, mas prefiro por vezes morrer. Meu ponto de partida simplesmente abrigará meu pedaços, pois quando eu voltar aqui outra vez quero me matar por um novo motivo, por uma nova causa.

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