Já faz um certo tempo que escolhi viver com a possibilidade de imperfeição - e o Limoções é a prova de que cursei esse caminho sem volta. Depois de compreender a comercialização da alegria, a superficialidade de uma vida regada por ostentação - e nesse aspecto podemos incluir fatores materiais e imateriais -, de compreender que nada está imune ao desgaste e nada escapa da faca amolada que é a realidade, tive a chance de crescer, de ser grande. Parte da minha vida fui influenciado pela imposição fatídica que me obrigava a permanecer buscando coisas inalcançáveis. Fui empurrado para longe da minha condição de humano por uma religião, por uma percepção deturpada do meu corpo, por rejeição engendrada nos meus trejeitos, por vestir e carregar uma personalidade e já cheguei a ser silenciado em relações duvidosas. Ué, se somos todos perfeitos, como pude ter sido influenciado a rejeitar as minhas próprias imperfeições? Não, eu não vivenciei tudo isso mergulhado apenas em solidão. Felizmente, tive a chance de vivenciar muitas pessoas, de me ver diante do olhar do outro, de ouvir as considerações que detinham ao meu respeito e de viver a contestação saudável - ou não - da minha natureza. Já que a vida não é perfeita, eu não sou perfeito, a alegria não é eterna, a dor não dói para sempre, a tristeza não é eterna, a solidão pode ser compreendida e experienciada, ninguém carrega toda a sabedoria do mundo e nada pode ser considerado estático e limitado, assim são as relações. Relacionar-se com alguém está longe de ser algo passível apenas de romantização e poesia. Não existem relações perfeitas, apenas aceite isso.
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CAFÉ
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