

Ao decorrer de todos esses anos como escritor já tive a chance de utilizar inúmeras analogias e infinitas metáforas. Por intermédio dessa plataforma fui capaz de descrever meus sentimentos, de transcrever os sentimentos de outrem e de criar histórias que jamais tive a chance de viver. Já me senti criativamente esgotado, já me vi sem o dom da palavra e já cheguei a cansar de criar. Mesmo quando tudo parecia dito, escrito, fotografado, filmado e publicado meu coração ainda tinha anseio por algo que eu não sabia definir, descrever ou identificar. Depois de certo tempo passei a me acostumar com a possibilidade de que sou cria da poesia e da arte, então deixei que todos os meus anseios, duvidas e exaustão percorressem cada centímetro do meu corpo. Me acostumei a sentir, a dizer, a ficar em silêncio e a gritar por tudo aquilo que vive dentro ou fora de mim.
A poesia me cultivou como uma árvore frutífera. Fui plantado diante da desesperança, germinei diante da descrença e cresci recebendo veneno como alimento. A poesia me cultivou em segredo, me ensinou a me manter em pé, a me fazer forte e a utilizar todos os recursos disponíveis para permanecer. Faltou adubo, faltou água, faltou luz do sol, mas fui cultivado para simplesmente permanecer. Já fui confundido com erva daninha, já fui podado, já fui praguejado, mas permaneci crescendo. Fui preparado para o inverno, para o outono, para o verão e para a primavera. Fui ensinado a aceitar as características de cada estação. A poesia me plantou diante da desesperança sabendo que eu não precisava de muito, me viu germinar diante da descrença convicta de que eu não seria jamais a aposta de alguém e me viu utilizar o veneno como meu alimento por saber que eu jamais seria contaminado pelo o horror.
Como uma árvore eu cresci. Desenvolvi raízes profundas e dei frutos. Passei pelo o que não esperava em pé, nem sempre firme e nem sempre forte, mas convicto. (PASSAREIO - LIMOÇÕES | 10/01/2020)
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