Nunca fui bom para dizer que preciso de alguém. Eu simplesmente cansei de achar que amo alguém ou que alguém me ama. Sei que meus assuntos são verdadeiramente chatos e meu olhar não consegue mais segurar ninguém. Será que eu realmente preciso implorar a atenção das pessoas que eu gosto? Não sei mais qual é a consistência do carinho...

Ainda não sei ao certo qual é o sentimento de estar livre. Já me senti vivo e livre e já me vi pairando pelo caos alheio. Eu me sinto danificado, quebrado e inutilizado, mas não consigo encontrar o real motivo de tanta vontade perdida. Eu me lembro que minhas palavras ecoavam dentro do coração de todos e ninguém podia jogar qualquer acusação contra mim. Eu já lutei por mim, pelos outros e por causas que tinham como objetivo cortar minhas asas. Não estou perdido. Sei exatamente onde estou, mas sinto que não estou exatamente onde queria estar. Alguma coisa me prende, algum sentimento - talvez - me segura e alguns medos me mantem no chão. Acho que desaprendi a voar, acredito que não sei mais como bater as asas e tenho certeza de que estou quebrado. Não quero perder nada, não quero ter que falar nada e desejo acreditar que meus medos são ilusões. Eu sei que reprimir o que sinto não é o correto, mas aqueles que eram dignos da minha confiança foram para longe e não podem mais atender meu chamado. Tenho tanta coisa presa na garganta e não posso me mexer para mudar o que tanto me incomoda! Eu sei que já voei feito um animal livre e sei também que já rompi várias barreiras numa outra vez. Se as respostas fossem de mais fácil acesso, eu não estaria tão imóvel e angustiado com tanta incerteza...
As chamas do medo são tão quentes que destruíram qualquer sinal de coragem. Meus olhos refletem a insegurança da minha alma, como o mar reflete o azul do céu sem fim. Essa é a maneira como eu me sinto por não conhecer o amanhã e temer minha própria instabilidade. O tempo não pode parar, mas para mim ele parou. Eu sei que deveria aproveitar o momentâneo silêncio para me movimentar e evitar que a tranquilidade seja em vão. Meus anseios me queimam como o sol do meio dia. Estou cheio de incertezas e não sei mais se o fundo do baú é o melhor lugar para se estar. Estou guardado e empoeirado e nada do que faço parece surtir efeito contra o mal que trouxe o medo. Minhas mãos estão inquietas e minha mente agitada, mas as correntes são difíceis de serem quebradas. Eu preciso ir embora, preciso trocar de pele, preciso reinventar as ideias e definir os caminhos. O medo me transformou num zumbi, o tempo me transformou num desmotivado ser pensante, a incerteza me deu a feição cansada de uma aberração. Meu anonimato é meu amor e as obras das minhas mãos são como reflexos do meu eu interior. Futuro sombrio e passado presente ainda me cegam com suas controvérsias...
Poeta não pode ser magoado. Homem não pode sentir nada. Não sei quando vou conseguir compreender que as pessoas não ligam se estou em pé no palco ou caído na sarjeta. Eu desliguei o telefone, excluí os aplicativos e fechei todas as contas. Não consegui entender o motivo de ter levado tanta ofensa para o meu coração. Não entendi o porquê de estar no chão. A dificuldade de engolir as palavras que tanto me feriram foi notória. Já não sentia o amor a tanto tempo e hoje eu quero ele longe de mim.

Na escuridão, continuo resistindo contra todo sentimento contraproducente, e acredito que essa cela é o lugar mais seguro do mundo! Deixei de esperar da vida as coisas boas, cansei de acordar imaginando um lugar menos destrutivo, abandonei o sentimento de esperança constante e acabei deixando essas desilusões na luz.
É muitíssimo estranho perceber como sempre consigo sujar qualquer sentimento puro. Sempre sorrateiro, imagino grandes mudanças e acabo num escuro silencioso. Defini traços para a minha vida e não sei se isso é bom ou ruim, na verdade não creio que seja nenhum dos dois. Precisei respirar e preciso das trevas como minha aliada, pois minha familiarização com o que é oculto e abstrato sempre facilitou um desligamento do "concreto" e "verídico". Não chego a passar grande parte da minha vida buscando sempre sentimos felizes e reconfortantes, mas quando eles chegam até mim acabam manchados por minhas desconfianças. Também não consigo pensar que os sentimentos "escuros" são negativos e me induzem a tristezas profundas. Diferentemente do que costumam dizer sobre meus escritos mais reflexivos, as reflexões feitas nas "trevas" sempre me levaram mais longe. O cenário silencioso da minha vida as vezes é gritante demais, e nada melhor do que o silêncio para me ajudar a entender as situações embaraçosas provocadas pela quebra do cotidiano. Sempre duvidei de tudo, sempre caminhei de mãos dadas com a desconfiança e é exatamente isso que me leva a duvidar de qualquer coisa boa que se aproxime. Não estou falando de qualquer trauma e não estou sofrendo com desgraças do passado, mas, na condição de ser humano, me permito aprender com os erros e me armar contra eles para que não voltem a acontecer. Para finalizar, minhas palavras não devem ser vistas como "balas perdidas", mas se você pensa que estou aqui atirando contra alguém, você não tem captado a verdadeira essência das minhas palavras.

A história da minha vida se resume em buscar o que é adequado e certo para mim.
Quem sou eu? Me perguntei esses dias se depois de tanto tempo valeria a pena rever quem sou. Passei uma vida metido em guerras que sempre acabavam ferindo quem eu sou ou era. O tempo, em algumas vezes, se mostrou favorável ao acelerar o processo de cicatrização de algumas feridas, mas mesmo antes de me recuperar, novos machucados já drenavam minhas forças. Mais uma vez me enganei ao pensar que estava pronto para me manter firme. Por diversas vezes cheguei a ignorar meus próprios pensamentos, minhas próprias vontades. Me encontro preso nesse belo fim de mundo e não convivo com a frustração de nunca ter tido uma oportunidade de mostrar quem realmente sou. Num atípico ato de rebeldia, me obriguei a lembrar de como é ser livre. Nunca desejei que tudo viesse fácil e que o mundo estive aos meus pés, mas sempre almejei ser quem quisesse ser. Existem tantas diferenças entre moldes, rótulos e etiquetas, porém prefiro continuar não me enquadrando. Por milhares de vezes repensei sobre quem deveria ser. Fiquei tempo demais me construindo e até agora não consegui terminar essa construção. Com certeza devo ter errado no planejamento, ou simplesmente nasci para não ser aceito. Fugi de mim para assistir de fora os rumos tomados por um mísero cego mal vestido e totalmente desnorteado. Será que posso dizer que tentei? Será que posso tentar de novo? Será que fiz o que era certo? Se não for eu, quem dirá o que é certo ou errado? Me calei! Me isolei! Pelo menos posso dizer que diversas vezes tentei ser eu. Pelo menos tive várias chances para evitar ser apagado. Diversas coisas, tantos sentimentos, muitas lembranças me machucaram por tanto tempo, mas agora não ligo mais e sobreviverei com um olhar brando de quem não deve nada para ninguém. Voltei para mim e tive que analisar se tudo estava bem... Não, não está nada bem! Se não posso ser quem quero ser, como posso continuar a viver? Desculpe-me se cheguei a rotular, mas num mundo onde a belíssima "arte de se encaixar" é tão importante, acabei conduzido pela falta de bom senso coletivo. Por um tempo fiquei desestruturado e encurralado pela falta de coragem e totalmente preso pela insegurança. Não pude ficar parado e não pude assistir nada acontecer. O tempo passou e continua passando rápido demais. O que eu sou ou o que fui quase foi totalmente apagado pelas atitudes ditatoriais de quem pensa que pode intitular severas regras para a criação de péssimos escravos desmotivados. Não sei se recuperarei as tonalidades originais do meu eu interior que, mais uma vez, está cavando sua própria sepultura para fugir da destruição provocada por forasteiros. Isso não deve ser considerado como uma vitória dos ditadores, mas sim uma vergonha pois estou livre para ser quem quero ser! Adeus maldita ganância que tenta implantar falta de caráter em tantas pessoas. Adeus hipocrisia barata que tenta corromper a originalidade e autenticidade de cada pessoa que consegue coagir. Viverei me reinventando. Viverei me libertando. Viverei me doando. Viverei me descobrindo e morrerei como quem decidir ser. Nunca uma ditadura decidirá como devo ser, ou pelo menos enquanto estiver em meu juízo perfeito.
Esses dias olhei para trás e, no extremo silêncio, pude ver um longo rastro de dor. Distante de toda alegria, fui perdendo o orgulho de ter conseguido chegar tão longe. Nunca é fácil, não será simples e nada será tão diferente do que um dia foi. Os sorrisos que camuflaram a dor eram apenas quebra-galhos que me livraram de tantas perguntas. Muita coisa foi antecipada por pura burrice e o que aconteceu antes do tempo foram apenas erros irreversíveis. Numa visão voltada para uma realidade alternativa, pude ver um contentamento interno e externo que me fazia enxugar as lágrimas.

Ter uma única certeza que se resume em sombras sempre será característica de um coração pesado. A única certeza que tenho é que quando tudo fica difícil - e tudo ficará difícil alguma vez - o que me revitaliza é saber que me mantive eterno numa simples fotografia. Toda coleta de imagens relacionadas a mim, foram feitas para eu mesmo e para que nunca me perca em memórias confusas ou em florestas emocionais cheias de armadilhas. Meu olhar sempre permaneceu atento para conseguir decodificar as mudanças mais singelas de "pessoas interiores" que um dia foram chamadas por mim de personalidade. Meu coração sempre esteve partido e mais uma vez o tempo se congelou para que essa característica se mantivesse firme em todos os retratos. Nunca fui de fácil acesso, mas alguém sempre me guardou num baú longe de toda ação do tempo para que simplesmente eu pudesse durar para sempre. Como uma foto, sempre fui "levado" para todos os lados afim de sempre ser a companhia de alguém. Num certo dia de fúria fui rasgado em centenas de pedaços e mesmo sem perspectivas tive que me remendar. Se as más lembranças estão intrinsecamente presas em cada pedaço de mim, acredito que continuarão comigo até a minha morte. Eu sei que as palavras doem e elas sangram e fazem sangrar, mas quem nunca sangrou não deve ter vivido uma verdadeira vida. Em meio a essa hemorragia causada pelo sofrimento, a essência de cada foto sempre conseguiu suturar todo tipo de ferida.
Meu lugar até hoje não descobri onde é, mas sei que dentro de mim as bandas da minha "terra interior" me aguardam. Percebi que por mais uma vez me deixei de lado na história e, com certeza, existem tantas saudades nesse mero sonhador que tive que pedir para a felicidade passar rápido e não zombar de mim. Diga felicidade, por que você prefere ficar ao meu redor e fazer participações rápidas pela minha vida? Você poderia simplesmente não existir ou talvez ficar para sempre nela. Eu sei que posso esperar, mas precisarei aprender a lidar com isso, e tenho a plena certeza de que você não terá tempo para me esperar. Desejei tanta alegria que quando percebi que uma história inteiramente feliz não existia, senti meu coração pipocar de duvidas. Depois de cada decepção abro um sorriso para expressar o contentamento e/ou conformação de um "alguém" que simplesmente adora se iludir.
E mais uma vez as dúvidas vão ao chão. Por que eu deveria conquistar os sonhos de uma antiga sombra? Cheguei a pensar que não era o tempo certo e as dúvidas e eu éramos um só. Cheguei a perder tempo lutando nessa guerra do "querer/não querer" sem armas e, para "ajudar", o tempo sentou numa poltrona confortável para me ver sofrer. Eu queria muito mesmo lutar sem armas, porém sentia as feridas do ataque da falta de coragem e as chicotadas do fracasso ardiam tanto. Antes de derrubar as muralhas construídas pelas dúvidas eu fui ao chão dezenas de vezes. Mais uma vez pensei que estava sendo honesto. Não confio na alegria alheia que permeia minhas conquistas e por isso decidi romper de vez a expectativa de um abraço. Continuo lutando e agora decidi usar algumas armas. Bom, eu tenho um coração amável e uma alma remendada que luta para não se quebrar e/ou se rasgar novamente. A ilusão é como uma lâmina afiada demais que destrói sonhos e pessoas.
