PARAFRASEANDO CAZUZA




Boa Vida
Cazuza
Eu nunca mais quero outra vida
É, eu ando um bocado mudado
Eu nunca mais quero outra vida, eu não
Olha só como eu tô bem tratado
É que os tempos mudaram
E agora eu ando muito bem acompanhado
(É, eu ando, sim)
Eu nunca mais quero outra vida
Jogado na rua feito um vira-lata
O amor um dia chega, irmão
Mesmo pr'um cara pirado
Que só sabe ficar bebendo pinga
Cantando rock, contando vantagem
Agora a gente só vive grudado
Pela rua aos beijos e abraços
Todo mundo repara
E mesmo os meus amigos mais canalhas
Me dão razão quando eu falo
Que eu nunca mais quero outra vida
Me machucar pela pessoa errada
O amor tem cartas já marcadas
E eu nunca tive vocação pra otário
É, os tempos mudaram
E agora eu ando muito bem acompanhado
Retirado do Site (www


É com essa belíssima música na voz de Agenor de Miranda Araújo Neto, ou Cazuza, que apresentarei duas paráfrases inspiradas pela mesma:
Eu acredito que não preciso de outra vida
Eu continuo mudando e confundindo
Quem nunca mais conseguiu ler esse cara
Vejam bem como estou mudado
Os tempos são outros e eu também
Agora ando, agora vivo
Agora só vivo bem acompanhado 
Eu acredito que não preciso de outra vida
Eu nem sei mais o que é ficar jogado esquecido pela vida
A verdade um dia sempre chega ,queridos
Mesmo pra mim que fui tão desacreditado
Eu queria mesmo era só saber de fugir
Das projeções mal sucedidas que eu mesmo havia criado
Agora eu continuo sempre grudado com uma nova loucura
Confesso que nunca tive tão bem acompanhado 
Eu acredito que não preciso de outra vida
Pela rua com os tênis rasgados
Eu mesmo me reparo
E mesmo as pessoas mais ordinárias
Repararam que de fato estou mudado
Nunca mais me julguei como uma "péssima pessoa"
Culpada pelos otários da vida contrária
Que sempre me viam como um outro otário 
Eu acredito que não preciso de outra vida
Pois nunca tive propensão para pisar ou ser pisado
O tempo curou, reconstruiu e expulsou
Toda propensão imposta pelos neurônios prejudicados
Ainda acho que não preciso de outra vida
Ainda acho que não preciso de outras companhias
E para terminar sem rima
Parabéns aos otários!
"E a Primavera era depois de amanhã..."
É difícil de explicar, mas tenho uma sensação de confiança que me faz acreditar que não preciso de outra vida. As transformações, ou metamorfoses, me acompanham desde sempre e um prazer involuntário de confundir as pessoas dificultou a possibilidade de leitura dessa pessoa que me tornei. Hoje não preciso e nem quero mostrar mudanças, mas as diferenças são tão notórias que quase nem consigo me reconhecer nas fotografias capturadas tempos atrás. Não só eu, mas, com certeza, todos conseguem ver como estou mudado e tal transformação me tornou vivo e também muito bem acompanhado. Há tanto tempo nem sei mais o que é ficar jogado pela vida e nesse meio tempo percebi que a verdade um dia sempre chega, até mesmo para mim que fui tão desacreditado. Confesso que num "eu" não muito distante queria mesmo era só saber de fugir das terríveis projeções mal sucedidas que meu cérebro havia criado. Depois de perceber que fugir não era uma alternativa viável para grandes e proveitosas mudanças, passei a me agarrar a uma nova loucura. A velha lembrança ainda é atual: pela rua com os tênis rasgados eu mesmo me reparo e desde então nunca mais consegui me julgar como uma "péssima pessoa" que sempre era culpada pelos otários da vida contrária que, sempre com o mesmo olhar, me viam como um outro otário. Nunca tive propensão para pisar ou ser pisado e o tempo foi o melhor remédio para curar, reconstruir e excomungar toda propensão imposta pelos neurônios prejudicados. Eu ainda bato o pé e digo que hoje não preciso de outra vida e nem de outras companhias e desejo um belíssimo parabéns aos otários.


Ps: um abraço para minha irmã de consideração Olivia Vieira que capturou a belissima imagem presente nesse post.