
Minha imagem está manchada e, como se não bastasse, ainda tenho que lidar novamente com a acusação. É difícil enxergarem quem sou de verdade por trás de tantos boatos, erros e fofocas. Não tenho como consertar o que está errado e não tenho o poder de mudar a visão de todos a meu respeito. Nenhuma palavra minha consegue ser validada e o que tem tido valor é a visão do outro sobre mim. Então, parece que tenho uma espécie de reputação.
reputação
substantivo feminino
1. conceito de que alguém ou algo goza num grupo humano.
"sua r. era a pior possível"
2. renome, estima, fama.
"era um homem de r."
A gente cai
Fica no chão
Se arrasta
Enfrenta a guerra
Sangra pela batalha
Entre contradições
E violência
A gente vive a demência
De quem devia ser lucidez
Entre sonhos e promessas
Quem vence é burgues
O pobre só tenta
Enquanto a chapa esquenta
O nego morre
É impossível contar quantas vezes ameacei ir embora sem qualquer pretensão de voltar. Eu não conseguiria contabilizar quantas foram as vezes que tive minhas asas cortadas ficando impossibilitado de voar. Não consigo ao certo dizer quantas vezes tive que sobreviver de migalhas que eram jogadas a mim no meu carcere. Jamais poderei ao certo dizer quantas notas tristes e dolorosas cantei enquanto eu permanecia sob custódia de acontecimentos pretensiosos.
Se eu disser que já vivi o suficiente
Estaria mentindo para os sonhos que sonhei
E não conseguiria colher os frutos
Frutos das sementes que plantei
Eu posso ser lágrimas na solidão
Mas não quero ser quem viveu o suficiente
Para acreditar que o cansaço veio e não foi
E que nada mais de bom existiria nesse mundão
A procura pela paz já me fez crer
Que o suficiente era deixar de viver
De acreditar que valia a pena andar
E o sofrimento jamais iria passar
Fotografar é um ato inerente à nossa necessidade de tentar transformar em eterno todo momento que nos toca. É como se constantemente estivéssemos preocupados em fazer com que nossas memórias ganhem forma física tornando-se possíveis de serem guardadas, tocadas, expostas e admiradas. O ato de fotografar vai além do simples registro de uma cena. É como se disséssemos para a vida que gostaríamos de ser eternos. Na fotografia não existem limitações, não existem imitações, não existem regras e é a maneira mais descomplicada de falar o que se sente.
Meu encontro com a fotografia aconteceu bem próximo do meu encontro com a escrita. Sempre tive muita dificuldade para falar e isso atrapalhava o meu relacionamento com qualquer pessoa. Nunca fui aquele jovem descolado que era bem quisto por todos e muito menos fui um jovem talentoso em relação aos demais. Era bem fácil me ver sentado, isolado e analisando tudo que acontecia. Minha atenção quase sempre não era voltada para as pessoas que me rodeavam, então era bem fácil analisar desde a textura das paredes até a folha que caia da árvore. Mesmo sendo tão isolado, eu precisava falar o que pensava e sentia que ninguém iria me ouvir. Na época, minha vontade de ser estava mais relacionada a atenção que eu não recebia das pessoas. Eu precisava ser, ser ouvido. Quando percebi que a atenção das pessoas não se voltaria para mim, decidi falar com elas da mesma forma que eu registrava cada momento que era por mim analisado enquanto estava sozinho. A única maneira de fazer com que as pessoas vissem as coisas mais ou menos da mesma forma que eu via era fotografando. Assim como na escrita, foi a minha necessidade de falar que me conduziu até o meu encontro com a fotografia.
Nunca quis construir grandes castelos e muito menos causar uma boa impressão por todo lugar que eu passasse. Eu jamais almejei ser eterno ou ter minhas decisões e ações eternamente grudadas em mim. Quero deixar meus passos por todo lugar até que eu consiga voltar para casa, até que eu consiga não me esquecer de tudo que fez parte da minha composição.
Não quero que a acusação ou que o julgamento me façam lembrar que em todo trajeto que fiz eu estava lá. Quero me lembrar de ter passado por todos os lugares que passei fazendo uso apenas das memórias que me compõem. Quero me recordar dos meus acertos e dos erros sem ter que ser cobrado por isso.
Livre como passarinho
Voando por aí sozinho
É assim que escolhi viver
Sem fazer morada
Como passarinho
Quero fazer meu ninho
No alto de uma árvore
Para ver o mundo caminhar
Escrever para mim sempre foi uma necessidade, mas eu não teria desenvolvido esse dom se não fosse pela leitura. Ler é a minha porta de abertura para fugir da realidade e essa possibilidade é que me faz ter como paixão esse hábito. É exatamente por esse motivo que hoje vou falar sobre um escritor que me tem como leitor, o meu amigo Matteus Portillo.
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| Reprodução: Fotografia retirada da página do G+ do autor. |
Nunca tive um estilo e/ou gênero de escrita favoritos, mas, como poeta, sempre fui atraído por poesias. Como escritor, sempre me vi distante dos parâmetros e regras que regem a construção textual por simplesmente me considerar livre para atribuir meus próprios moldes aos meus escritos e, seguindo essa linha, encontrei essa característica em comum com o autor do Monóloguz.

Ele temeu, exitou
Parou no meio termo
Mergulhou em receio
Ele estagnou, enfraquecido
Parou no meio da estrada
Mergulhou em apreensão
Permitiu-se sentir dor
Enquanto crescia o rancor
O horror de ser homem
O levou ao temor, pânico
Esqueceu que era gente
Que podia ser só gente
Ele caiu, exausto
Se manteve ao chão
Preso em grilhões
Viu milhões seguindo
Enquanto que segurava o choro
Tinha que mostrar sorriso
Não me dobrei para o opressor
Não caí de joelhos perante a dor
Não me dobro para nada
Psicológico perturbado
Pânico, medo e rancor
No preto e branco da vida
Eu engoli a seco o veneno
Comi o pão que o diabo amassou
Enquanto caminhava pelas brasas
Fui mudando, crescendo e sonhando

Ser pai dá trabalho, já diria meu próprio pai que teve que lidar com a minha adolescência difícil e lida até agora com meu gênio forte, que fez parte do meu crescer ter a figura do meu pai como grande influencia de homem que me tornei hoje. Atualmente ser pai de seis cachorros é a causa que move meu mundo, tanto que já se tornou também um importante passo de desenvolvimento para os meus filhotes, como também para mim como ser humano.
Eu, como homem, não encontrei dificuldade nenhuma em ser pai. É como se eu tivesse me preparado a vida inteira para ser pai de seis. Talvez a vida tenha me favorecido um pouco me dando um coração de manteiga e me ensinando a respeitar cada criação da mãe natureza. Criar, ensinar e proteger meus filhotes se tornou uma das prioridades da minha vida desde 14 de setembro de 2016, quando a Nina deu cria trazendo ao mundo a Maçã, o Mussarela, o Mandume e o Sadan. Desde esse dia tenho aprendido mais sobre amor, respeito, carinho e gratidão, além de ter desenvolvido uma extrema paciência.
A sorte então se refez
Para quem se fez forte
Seguiu firme com o pé no chão
O coração partido em cacos
Hoje se contabiliza os danos
Dos anos de fé na correria
Enquanto chorava sangue
Gargalhava de alegria
A sorte então se refez
Para quem creditou no ontem
A força para o amanhã
A alma que brilha
Nem parece viver na escuridão
Reza brava ou mandinga
Era tudo que existia em mãos
Cessava as dores e curava feridas
Para quem se fez forte
Seguiu firme com o pé no chão
O coração partido em cacos
Hoje se contabiliza os danos
Dos anos de fé na correria
Enquanto chorava sangue
Gargalhava de alegria
A sorte então se refez
Para quem creditou no ontem
A força para o amanhã
A alma que brilha
Nem parece viver na escuridão
Reza brava ou mandinga
Era tudo que existia em mãos
Cessava as dores e curava feridas
O projeto "Abril 30/30" continua a todo vapor! Desde o dia 2/4 o Limoções apresentou 10 postagens derivadas do projeto. São poemas, fotografias, vídeos, textos e análises de artistas que começam a formar a proposta de integrar ao seu acervo diversos temas e assuntos.

O que foi apresentado entre 2/4 a 9/4:
3 FASES DA MINHA ESCRITA
VOCÊ ACREDITA?
O que vem por aí?
10/4 - AS CORES DO AMANHECER
11/4 - CHEIRO DE CACHORRO
13/4 - NÃO ME DOBRO PARA NADA
14/4 - VONTADE DE VIVER - JADE TRESCA
15/4 - A MORTE DE MARIELLE E O RENASCIMENTO DE TODOS NÓS - JADE TRESCA
16/4 - ENSAIO FOTOGRÁFICO: RAÍZES DE UM VELHO AMOR - NOEMI MENDES
17/4 - COROA DE ESPINHOS
18/4 - O MONÓLOGO DE MATTEUS PORTILLO
Até dia trinta de abril um novo post com um novo tema. Continue acompanhando!

No que ou em quem?
Há tempos tudo anda meio incerto
Que não tem parecido certo
Me manter seguro de si
Cheio de esperança e crenças
No que eu deveria me apegar?
Naquilo que a vida deixou de me arrancar?
Tudo continua meio doído e confuso
É como se a cada dia eu levasse um murro
E saísse desnorteado, sem rumo
#LIBERDADEDEEXPRESSÃO
À medida que comecei a me envolver com fotografia permiti que as imagens me tocassem, falassem comigo ou falassem o que eu queria dizer. Ao decorrer dos anos tive a chance de conhecer artistas que utilizavam o recurso fotográfico como uma possibilidade de diálogo, discurso, causa e afins. Hoje trago ao Limoções alguns dos trabalhos do meu querido amigo Pluma.
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| Reprodução: Fotografia retirada da página oficial do artista |
Não me recordo com clareza como conheci as obras desse artista, mas me lembro bem que fui completamente arrebatado pelas fotografias que tive contato em primeiro momento. Não foi apenas uma questão de admiração ou curiosidade. Foram diversos sentidos levantados por mim enquanto admirava cautelosamente as cores e as composições de luz e edição do autor. Me vi preso em inúmeras realidades e viajando por questionamentos sobre o sentido de cada retrato. Não foi uma busca por explicações de cada proposta, foi mais uma reflexão sobre as sensações que cada composição conseguia (e consegue) fazer eu sentir.

Comecei a escrever desde meus onze anos de idade e como autor já passei por diversas fases de escrita que foram apresentadas ao público por intermédio de três projetos pessoais na internet que seguem a seguinte ordem cronológica:
My Days - 2010
Desencantos e inquietações da adolescência e um jovem que está descobrindo a viver.
Desencantos e inquietações da adolescência e um jovem que está descobrindo a viver.
Um Anacrônico - 2012
Enfatização de sentimentos obscuros e melancólicos e não contentamento com a vida que levava e a dramatização da sua própria existência.
Enfatização de sentimentos obscuros e melancólicos e não contentamento com a vida que levava e a dramatização da sua própria existência.
Limoções - 2015
Estreitamento de laços com a natureza e com a espiritualidade, autoconhecimento e aceitação de si no mundo em que vive e a apresentação da harmoniosa maneira de se viver a vida.
Estreitamento de laços com a natureza e com a espiritualidade, autoconhecimento e aceitação de si no mundo em que vive e a apresentação da harmoniosa maneira de se viver a vida.
Agora posso dizer que não consigo mais ser feito de traços, de trejeitos e predefinições. Caminhei até aqui mergulhado na definição que queriam de mim, na forma que esperavam de mim e, como uma maquina, vivi as programações que me eram impostas. Briguei comigo e com o mundo e fiz tudo que pude para ser aceito. Fui castrado, me castrei, fui proibido, me proibi e fui voltando todo o meu olhar aos olhares projetados sobre mim. Foram brigas com o passado, foram frustrações com o futuro e desanimo com o presente que me trouxeram até aqui: aos meus 22.
Já vi gente pirando e até mesmo me repudiando por levar tão a sério essa filosofia. O tempo de cada coisa tem regido constantemente cada passo da minha vida. Há cerca de oito anos decidi acreditar que tudo tem um tempo determinado e de nada adianta surtar ou se entristecer perante determinados acontecimentos.
Ao decorrer dos meus vinte dois anos de vida vi pessoas chegando e pessoas partindo. Já cheguei a viver por determinadas relações a ponto de me colocar em segundo plano. Fui amigo, irmão, companheiro, namorado e toda espécie de rótulo que permeia as relações interpessoais. A certa altura sofri por ver grandes amores e amigos importantes partindo ou se distanciando que me afogava em tristezas e culpas. Comecei a conspirar contra o tempo numa tentativa desesperada de fazer com que a cronológica da vida fosse interrompida. Era terrível ter que conviver com as idas e vindas de cada ser humano que marcou ou simplesmente passou pela minha existência que passei tempo demais brigando com cada minuto da minha vida que fugia do meu esboço, fugia daquilo que eu tinha sonhado e/ou esquematizado. Para alcançar a compreensão perante os planos do tempo tive que chegar em ruínas e aceitar que nem tudo pode ser como quero.

"O meu verão terminou
Não sou mais calor
Não sou mais brilho
Não sou mais exagerado"
Que bom que o verão terminou, tudo é mais intenso nessa estação. Se antes era preciso sentir o dobro para se ter certeza de que estava sentindo, agora o sentir pode ser natural, pode ser somente sentir. O exagero nunca esteve em seus olhos. O exagero esteve em quem te exagerou, em quem te negou a simplicidade que não existia no seu verão. Se o seu brilho vinha da estação eu não sei. Só sei que nunca vi seu brilho em excesso e nunca vi seu calor em exagero.
"Troquei de estação
Esfriei meu coração
Segurei minhas palavras
Mergulhei em discrição"
Como se não bastasse a guerra
Que é não te querer
Eu ainda tenho que te ver
Ali parado com aquele olhar
De criança que não sabe o que quer
Você tem cheiro de flor
Tanto que não sei se é amor
Se isso que cheira em você
For veneno eu morro
De dor ou de amor

Abril inicia-se hoje e o Limoções dá abertura ao seu novo projeto. "Abril 30/30" nasceu com a proposta de integrar ao acervo do LM trinta novos posts com temas variados e diversos assuntos. Por intermédio da escrita, da fotografia, do audiovisual e da contribuição de diversos artistas esse projeto apresentará um novo post a cada novo dia do mês de abril.
A seguir você poderá ver a agenda de publicações:
3/4 - NO QUINTAL DE CASA 📷
4/4 - TÃO INTENSO QUANTO ONTEM 📜
5/4 - O TEMPO DE CADA COISA 📜
6/4 - CAPTURAS FOTOGRÁFICAS: O PÔR DO SOL 📷
7/4 - CHEGUEI AOS MEUS 22 ✊
8/4 - 3 FASES DA MINHA ESCRITA 📜
9/4 - O SURREALISMO DE PLUMA 👀
10/4 - AS CORES DO AMANHECER 📷
11/4 - CHEIRO DE CACHORRO 📷📜
12/4 - PROJETO OLHARES: A VIDA DIANTE DOS OLHOS 📷
13/4 - NÃO ME DOBRO PRA NADA 📜
14/4 - VONTADE DE VIVER 📜
15/4 - A MORTE DE MARIELLE E O RENASCIMENTO DE TODOS NÓS 📜
16/4 - ENSAIO FOTOGRÁFICO - "RAÍZES DE UM VELHO AMOR" 📷
17/4 - COROA DE ESPINHOS 📜
18/4 - O MONÓLOGO DE MATTEUS PORTILLO 👀
19/4 - COMO PASSARINHO 📜
20/4 - COMO PEGADAS - VISUAL TEXTO
21/4 - COMO FUI ALCANÇADO PELA FOTOGRAFIA 📜
22/4 - COMO PEGADAS - VISUAL TEXTO POR NOEMI MENDES
23/4 - ENSAIO FOTOGRÁFICO - "I'M SORRY" 📷
24/4 - DESPENCADO 📜
25/4 - 30 CAPTURAS 📷
26/4 - 🔒
27/4 - SERENO CONTRASTE - CONCEPÇÃO 📷📜
28/4 - 🔒
29/4 - 🔒
30/4 - 🔒
Espere que esse projeto seja inesquecível! Contamos com todos para prestigiarem cada uma das postagens.

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