Pretendo discorrer esse texto - depois de um longo período ausente do Limoções - trazendo marcadores sociais importantes para a minha vida, evidenciando como as minhas causas e lutas me proporcionam situações duras e confrontos cotidianos, além da criticidade necessária para permanecer lúcido e seguro. Quando se trata da discussão entorno do egoísmo e vaidade não é possível desprender as características raciais e as estruturas racistas constituídas ao decorrer da história na estruturação de um sistema de vantagens que torna viável o conforto de alguns em rejeitar e/ou ignorar a existência, as queixas e os meandros de outros. Dentro das possibilidades que construí para a minha narrativa não existe espaço para o crescer desenfreado do ego de pessoas brancas - e isso se aplica dentro das minhas relações afetivas e interpessoais. Hoje me vejo trancafiado dentro de um lugar solitário que tem como característica específica as tentativas diárias de exclusão, invisibilidade e silenciamento. Cultivei 25 anos da minha vida para conseguir falar, andar, sorrir, questionar e conquistar sem me ver invalidado ou questionado, ao contrário de pessoas brancas que sempre tiveram todas as possibilidades de viver tudo isso naturalmente antes de mim.
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