A queda - é assim que podemos nomear - faz parte da trajetória de alguns. Esse tombo é esperado para todes que estão no nível de visibilidade que a maldade taxa como inapropriada. A queda espera quem tem ramos floridos em todas as estações, quem tem voz em todos os discursos, quem tem posicionamento para ponderar a respeito da vida e de seus atravessamentos. Por fim, a queda espera quem tem na consciência o despertar da memória para simbolizar a passagem pelo mundo. A sensação é que a queda evita todes que se fazem se sonsos, de surdos e mudos. A gente quer garantir espaços seguros para ser, para estar, para simplesmente andar. A vida não nos apresenta a maldade, mas a maldade está intrínseca aos significados da vida - tomando formas e utilizando recursos ao seu próprio modo.
Rastejar também é caminhar, mesmo que isso signifique estar preso em desconfortos e assombros. Somos treinados para imaginar caminhos verticais, caminhos com uma única característica, caminhos padronizados e hegemônicos. Estar em pé é uma simbologia implantada no imaginário daqueles que precisam horizontalizar seus passos para atravessar aqueles obstáculos diários, para significar existências e para conseguir atribuir lucidez aos marcadores de causas, marcadores de vida. O que é estar em pé? Podemos responder a pergunta com tantas respostas, mas eu prefiro responder que estar em pé é ter a capacidade de continuar independentemente daquilo que tenta nos aprisionar. Para além do imaginário de outrem, para além das referencias que distorcem nossos corpos, nossos sonhos e nossos lugares no mundo, estar em pé é continuar com seus recursos próprios.
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