
Conheço a dor, conheço o rancor, conheço o gosto amargo e azedo de cada novo dia, assim como reconheço de longe a apatia e o desinteresse. Aprendo todos os dias com as emoções e sentimentos evitados por quem se sente contrariado pela tristeza. Caibo em espaços que nunca imaginei estar e sinto coisas que já senti antes. Eu deveria saber me comportar diante da exclusão, assim como soube me comportar diante da dor. Sei que parece tudo bem mórbido, mas é um recomeço difícil. A gente precisa do começo para recomeçar - nem sempre, eu sei. Gosto de pensar que aqueles passos que dei ainda permanecem nos locais por onde passei, mas não me responsabilizo pelas marcas que eu criei em mim e deixei por aí. Eu deveria me responsabilizar pelo passado ou somente deixar o passado no passado?
Parece que estou tendo um devaneio. Anos se escondendo dos valentões e depois de adulto ainda tem valentões me amedrontando. O sistema massacra pessoas que queriam ser invisíveis, pois o destino não deixa passar em branco quem desejou. Louco. A minha existência faz barulho e eu sequer me planejei como um arranjo. De fato, arranjaram uma melodia para os passos que dou, e eu descreveria como melancólica, dramática e obscura. Na maior parte das vezes que estou arranjado como música é exatamente quando só me deixo tocar e, num bom tocador de disco, toco para todos. O disco passa pelas mãos de outrem antes de chegar até a vitrola. Um processo complexo de gravação, em um estúdio quente, com harmonias e desarmonias: ali estou eu, sou a música, o resultado final.
Você está no eixo editorial
Acervo Histórico
Explore mais produções deste eixo em nosso acervo.
Acessar Eixo CompletoVocê está no eixo editorial
Escritos
Explore mais produções deste eixo em nosso acervo.
Acessar Eixo CompletoNota de Apoio e Permanência
Manter o Limoções como um espaço de pensamento crítico exige recursos. Sua contribuição financeira é o que impede a interrupção deste trabalho.
0 comments