10.11.17

E TUDO LEMBRA VOCÊ

Desde que você partiu para sua aventura seguinte, não permiti que você morresse nem por um segundo. Nos momentos difíceis - e são muitos - recordo-me com grande necessidade dos seus ensinamentos. Lembro-me de como você se silenciava mediante as dificuldades e buscava - com um sorriso no rosto e com o peito cheio de fé - a harmonia, a paz e a lucides para não permitir que a maldade e adversidades da vida engolissem o que existia de bom no caminhar, no realizar de cada coisa, no cair, no decepcionar, no ganhar, no chorar, no perder, no sorrir e no existir. Não é possível esquecer que, na condição de seres humanos, você nos mostrou que era permitido errar, era permitido consertar, evoluir e crescer na dor. Fez do amor sua morada e nos conduziu até a compreensão de que até a pior criatura do mundo merece nosso respeito, merece ser acredita, amada e perdoada. Não esqueci da senhora fazendo o que tanto gostava: cozinhar. Cada pé de coentro, de salsa e cebolinha lembram o gosto da sua comida. Cada bolo que hoje faço lembra primeira vez que a senhora me fez fazer um bolo de laranja - aquele que você mais gostava - sem receita, na garra e na coragem. Você acreditou em mim. Me colocou para te ajudar nas suas empreitadas como empresária. Atribuía em mim tarefas importantes. Não duvidava da minha capacidade em nenhuma das circunstancias.

Hoje percebo que todas as vezes que me calei, foram por você. Todas as vezes que tive coragem de falar, chorar, desabafar e gritar, foram por você. Todas as vezes que eu poderia odiar, escolhi amar, por você. Quando o desistir bate a porta, é de você que lembro para continuar. É com o sorriso no rosto, a saudade no peito e com todo o agradecimento do mundo é que não deixarei a senhora morrer.

"Desafia, vai dar mó treta
Quando disser que vi Deus
Ele era uma mulher preta"

Minha avó Marinalva Maria de Jesus Silva foi recolhida aos céus no dia 11 de novembro de 2016.