5.10.16

MÃOS AMARRADAS


Minhas mãos estão amarradas e minhas asas estão quebradas.

São inevitáveis e notórias as minhas lágrimas e é visível o colapso do meu mundo. Não busquei o paraíso e ele a mim também não se apresentou. Tirei a minha roupa para as minhas cicatrizes aparecem, pois elas atualmente queimam demais para ficarem escondidas. Mostrei-me ao tormento e me entreguei ao desanimo. Cansei de correr para um sentimento bom e fugir de outro ruim. São todos sentimentos e eu sou simplesmente uma sombra indeterminada composta por todos eles.

Para escrever hoje eu uso minhas mãos amarradas e minha mente grita palavras de dor e tormento. Não decidi ficar ao lado da razão por ser simplesmente composto de uma gama de emoção. Só escolhi me permitir sofrer e padecer com o descontentamento com a realidade desfavorável da minha vida emprestada.

Não fui atrás do bom ou do ruim e não mergulhei de cabeça no inferno, mas não sei como cheguei onde agora estou. Eu nunca soube o que de fato eu precisava, mas sei que não precisa seguir por esse estrada exaustiva e interminável. O inferno é meu e eu sou do meu inferno, mas se eu não conseguir caminhar descalço pela brasa não conseguirei ser o dono do meu caminho, o senhor da minha tragédia. Não busquei atalhos e não semeei espinhos, mas vivo constantemente colhendo horrores e martírios.

Eu não busco o paraíso. Não sei o que buscava, mas sei que não busquei o que encontrei, o que vivo agora. Devo ter buscado uma historinha um pouco mais feliz, com mais sorrisos e menos lágrimas. Um caminho com mais flores e menos espinhos. Uma canção mais feliz e menos desgraçada.

Artur Cacossi