24.2.17

SE EU AINDA VALER A PENA

Dessa vez você está me deixando velejar para longe, e isso definitivamente não é ruim, mas eu gostaria de saber se em algum momento você aparecerá para me dizer que estou longe demais. Eu não quero que você me deixe ir simplesmente por se sentir esgotada das minhas decisões arbitrárias e por estar cansada de sempre ser vitimada pela minha austera incapacidade de lidar com sentimentos. Eu não tenho certeza absoluta, mas também te vejo cada dia mais distante, mais fria e menos entusiasmada em relação a tudo que construímos juntos. Daqui onde estou já não consigo mais te ver e nem te ouvir, portanto se você também de fato decidir ir para longe, vamos juntos.

Eu tenho velejado por um mar relativamente calmo desde que você aceitou que eu iria me afastar, mas tenho tido dificuldades para respirar por não ter te falado tudo que sentia. A cada nova tempestade que enfrento, sufoco com tudo que você nem fez questão de saber. Sei que você decidiu aceitar a minha partida e sei também que isso não mudou muita coisa em sua vida, mas será que eu não merecia mais ser contrariado? Meu silêncio e o seu podem dar certo juntos, mas é necessário que você venha me buscar e me mostrar que estarmos longe não é realmente necessário. Sei que talvez seus melindres prefiram me ver sufocar longe de você e sei que se isso acontecesse tudo continuaria por igual.

Aposto que se eu ainda tivesse algum valor, não estaria nesse mar frio e deserto que você deixou que eu me aventurasse. Não quero que a culpa desse afastamento caia sobre alguém, mas de maneira certa ou errada eu sempre tentei lidar com as suas idiossincrasias. Você parece ter se cansado de não poder ver o que acontece dentro de mim, e isso basicamente te colocou contra a parede quando comecei a atirar as minhas facadas pela boca. Sei que dei tiros e facadas para todos os lados, e não peço que aceite isso de peito aberto, porém tudo me parece meio errado agora e tenho dito exatamente como estou me sentindo fazendo uso dessas construções textuais que tenho certeza de que você lê. Você poderia, aí mesmo do seu barquinho, me dar algumas respostas ou simplesmente responder a alguns desses meus textos. Também fui esfaqueado e baleado dezenas de vezes, mas quando valia a pena eu lutava para tentar entender os porquês de tudo estar acontecendo, portanto peço a você que tente fazer um pouco disso. Mesmo que para você não valha mais a pena, eu gostaria que você me procurasse para ouvir o que eu tenho a dizer.