9.11.16

LÚCIDO



Vê o meu pó
E me dá sua dó
Para chorar sobre meu resto
Você não precisa fingir se importar
Não preciso da sua forçada atenção
Eu chorei e vivi meu medo
Mergulhei no meu silêncio
Sem implorar sua atenção
Eu confiei minhas angustias
Em palavras
Caracterizei minhas superações
Em arte
Não preciso ser vitimado pela pena
Se minha paz hoje é tão leve
Leve feito uma pena

A minhã solidão me cansou
Mas foi minha principal motivação
Foi meu exílio que me manteve vivo
E meu isolamento me fez lúcido
Tão lúcido quanto as minhas palavras
Tão lúcido quanto os meus sonhos

Por isso digo
Não preciso de dó
Preciso de espaço para construir
Construir meu mundo
Preciso de espaço para escrever
Escrever a minha história
Minhas histórias
As histórias do meu mundo

Corri para longe da humanidade
Sentei com o lápis nas mãos
Peguei a minha esperança
Revirei meus martírios
E morri escrevendo