LIMOÇÕES: NASCEU, CRESCEU E SE FORMOU

Uma história que se mescla com a vida de diversos jovens artistas do Brasil



Meu primeiro contato com a fotografia aconteceu em meados de 2011 quando ainda participava de projetos e movimentos com fundos socioeducativos e socioculturais. Enquanto meu trabalho voluntário era regido por regras e metas, fui desenvolvendo grande estima e curiosidade sobre diversos modos de lidar com a câmera. Meus trabalhos, em sua maioria, contavam com a minha presença em frente às câmeras, mas fui me descobrindo atrás delas. Desde a criação de um projeto que tinha por objetivo contar histórias fui me colocando exatamente onde gostaria de estar: com a câmera nas mãos.

Para ter mais espaço de trabalho e oportunidade de desenvolver meus estilos fotográficos - e até mesmo de filmagens - me desliguei de qualquer outro trabalho que me colocasse na posição de receber regras e parâmetros que não fossem definidos por mim. No final de 2015 criei o Limoções com o objetivo de resgatar e tornar mais acessível essa minha vontade de trabalhar da minha maneira.

Para compor o LM tive que trabalhar duro e até passar dias e dias produzindo uma única série de capturas. Sem qualquer espécie de financiamento privado e nem mesmo a participação em leis de incentivo à cultura esse projeto conseguiu produzir com grande maestria trabalhos importantes que contam histórias, defendem movimentos e causas e transmitem mensagens significativas para um coro de pessoas que possuem alta perceptividade à arte ou estão se inserindo nesse meio por agora.

Mesmo sem contribuições financeiras fui atrás de pessoas que também tinham o desejo de mostrar o que sabiam fazer e precisavam de um incentivo ou até mesmo de uma plataforma para que tivessem coragem e audácia de saírem da sua zona de conforto. Essas parcerias com fotógrafos amadores resultaram em trabalhos importantes como "Reflexos da Alma" (2015), "One Singular Breach" (2015), "Alma Livre" (2016), "Originário" (2016) e dentre muitos outros.

Eu costumo dizer que a vontade de criar o Limoções foi minha, mas a forma que o projeto tem hoje é uma atribuição de todos que contribuíram para que ele acontecesse de fato. Dois mil e dezesseis foi um ano de definições para o meu estilo de trabalho e hoje consigo facilmente estar tanto atrás das câmeras como em frente à elas, posso me considerar de forma unânime polivalente como diversos outros artistas que se arriscam fazendo arte por esse mundão e como todos os meus amigos e amigas artistas que passaram por esse projeto. Esse trabalho já possuí um acervo rico que é a cara do Brasil jovem e perseverante que constantemente grita e se movimenta para mostrar o que sabe fazer, como pensa e como é possível transformar sonhos em realidade. 

Com fotografias, vídeos e textos em várias formas o Limoções pode se eternizar e se tornar referencia para muitos. Quem sabe o movimento Limoções seja a forma de arte e expressão que muitos dos nossos jovens precisam conhecer para conseguirem entender que viver é estar mergulhado em idiossincrasias.

Por Tiago Lima