7.12.16

DIFER(G)ENTE


Será que é tão difícil compartilhar comigo as minhas dores, os meus amores, as minhas alegrias, as minhas visões, as minhas percepções e o meu jeito peculiar de ser? É difícil demais ser quem sou e isso se torna mais difícil ainda quando todos estão contra meu jeito de ser, de rir, de vestir, de falar, de andar, de pensar e de existir.

Cheio de defeitos ou carregado de qualidades tenho o direito de pedir que me aceitem exatamente como sou. Não consigo mais realizar uma mudança em mim que não seja por mim. Decidi morrer exatamente como descobri ser e decidi morrer devidamente satisfeito com os meus traços e trejeitos. Não consigo me contentar em ter que ser a unica pessoa no mundo que me entende e me tem por perto por puro gosto de me sentir por perto. Será que jamais existirá no mundo alguém que me veja puramente como sou?: simplesmente eu.

Não estou pedindo que ninguém me olhe profundamente. Não preciso que qualquer pessoa enxergue minha alma ou tente me ler. Só quero ser aceito como o sol num belo dia de férias. Só preciso preciso ser compreendido como uma história de livro. Só preciso ser valorizado como a água. Tenho sentimentos e sentidos. Apesar de ser diferente, tenho um coração pulsando dentro de mim.

Artur Cacossi