INDIGESTÃO



[ESTROFE 1]
Me fitei no espelho por mais de meia hora
Algo havia partido de mim
Não consegui descobrir o que foi embora

Talvez eu tenha me olhado no momento errado
Sou assustadoramente complicado
E agora que perdi meu compasso
Não consigo mais me compreender

[ESTROFE 2]
Tenho a terrivel mania de me sufocar
Nem sei como deve ser simplesmente respirar
Mas estou feliz em conseguir me ver
Fico contente por ainda estar por aqui
Por ainda tentar respirar, tentar viver

[ESTROFE 3]
Nunca consegui escrever algo do meu agrado
Cada leitura que em mim ficou marcada
Hoje no espelho não é refletida

Sou possivelmente autentico então
Pois as palavras de outros reflexos
Não me transformaram em reflexão

[LIGAÇÃO]
Eu não posso me agradar com o que vejo no espelho
Também não posso mais me alterar
Como farei agora se não consigo viver o agora
Não consigo dizer que estou contente

[REPETIÇÃO]
Quando eu não saber o que fazer, prefiro nada fazer
Quando eu não saber o que fazer, prefiro nada fazer
Quando eu não saber o que fazer, prefiro nada fazer
Quando eu não saber o que fazer, prefiro nada fazer

[SOBRA]
Também posso ficar imóvel torcendo para o tempo correr
Posso sentar e esperar e sem mexer e nem pensar
Depois de um certo e longo tempo posso voltar
E me posicionarei de frente ao espelho