13.12.15

FUI UMA BELÍSSIMA AQUARELA

FUI UMA BELÍSSIMA AQUARELA

Ainda não estou em casa, ainda não estou voltando para casa e ainda não sei onde a minha casa foi parar. Todo final de tarde contemplo o pôr do sol por uma janela e acabo lamentando a chegada da triste e fria noite. Fui uma belíssima aquarela, mas me tornei um pôr do sol sem brilho, opaco, insosso e quase incolor que prefere permanecer escondido de todos os olhares. Nunca encontrei algo bom o suficiente para me cativar a largar mão do anonimato, e acredito que ser aquela mancha opaca daquela peça antiga de roupa é a sina da minha vida. Sou amigo do vento, porém faz tempo que ele não se importa com a nossa amizade que acabou esquecendo de soprar novas oportunidades. Nunca me dei bem com padrões, mas acabei criando meu padrão de vida que se baseia em se esconder das luzes e vegetar contemplando os ponteiros do relógio. Ainda procuro um motivo, uma razão e um fôlego, mas a vida continuará seguindo seu fluxo eu encontrando ou não. O destino poderia me deixar saber as surpresas do futuro, mas ele está ocupado demais impondo acontecimentos e fugindo da felicidade. Não tenho a quem culpar pela falta de brilho no meu presente, mas tenho mantido a ilusão de que o "amanhã chegará", e assim dou um jeito de não desaparecer. Ainda não estou voltando para casa, mas, todas as noites, meus sonhos me enchem de esperanças tolas. Não estou preocupado com o tempo, pois nunca soube lidar com essa questão cronológica. Hoje tenho dezenove anos, amanhã posso ter trinta, depois de amanhã dez e a minha alma é livre para sentir, sentir a saudade de casa.


Dedico essa postagem a José Cypriano que nos deixou no dia 13 de dezembro de 2015.