14.12.15

MALDITAS PALAVRAS

As nuvens chegaram trazendo uma tempestade de palavras calculadamente certeiras que tinham como alvo meu coração. Eu sempre ocupei uma "casa" que nunca foi minha e passei literalmente a minha vida dedicado a uma causa que nunca precisou de mim. Meu caráter, pobre caráter, foi massacrado pela calúnia. Minha moral, pobre moral, foi colocada no lixo pela difamação. Não importa mais quem precisa ou quem precisou, quem  ama ou odeia, quem faz ou fez e não faz mais sentido quem se importa ou quem não se importa. O tornado da insensatez destruiu todo carinho e a frieza humana roubou de mim lágrimas preciosas. A falta de reconhecimento mais uma vez bateu na porta e eu, totalmente leigo, atendi e ainda a convidei para entrar. Hoje fui qualificado como mercenário e o ladrão que se esconde nas sombras. Não importa mais o sangue, não importa mais o que passou por que as lágrimas estão sendo enxugas pelas mãos do injustiçado. Nada mais é tão importante quanto eu mesmo. Nada mais tem tanto valor quanto eu mesmo. O ser humano ruim que sou, conseguiu confirmar que a maldade de fato está em todos que dividem a mesma raça. A criatura sem escrúpulos que sou - doce criatura sem escrúpulos - assiste o desmanche de laços que sucedem um engendrado mal entendido. A cena era a mesma: um fracassado e desamparado era humilhado enquanto a plateia imaginava o desfecho da história. A verdade apareceu durante a tempestade e me fez vomitar a sinceridade guardada a tanto tempo. A hipocrisia também se fez presente durante o caos e me esfaqueou com tamanha brutalidade que a morte foi instantânea. Cansado das tristezas e das pessoas, voltei para o quarto. Fugindo da desilusão, compus esse escrito trancado num carro fedido com os olhos molhados. Tenho certeza de que alguém pagará pelas lágrimas que de mim foram roubadas e o tempo dará um basta na tempestade.


Escrito dolorosamente no dia 14 de dezembro de 2015.