27.11.15

NUM ESPAÇO, NUM EU OCULTO


Perdido no escuro,
num espaço, num eu oculto.
Vozes humanas
tentam mostrar-me o caminho
na imensidão da dor,
na caracterização do rancor.
Cegueira, cenas perdidas... 
e como são medonhas
por estarem perdidas!
Antes da cegueira, a ilusão
alimentava sonhos.
Os anseios do meu corpo, 
que sempre coincidem com
os anseios de minha alma,
jamais serão saciados.
Os planos estão no chão, 
o cérebro parou de funcionar.
Agora deveria ser o momento de pensar,
mas só consigo sentir.
Tensão, apreensão e acho que me prendi em mim. 
Penso em colecionar conquistas,
porém não estou mais engajado, 
não estou mais motivado.
Todas as estratégias se converteram num único ser que pensa ser desprezível.
A força decidiu se juntar com as
rarefeitas nuvens do céu.
Sonhei com sorrisos eternos, 
na esperança de aproveitar
minhas próprias aptidões.
Desliguei-me do mundo, 
mas ele em mim continua ligado
para mostrar que nenhuma conquista
sucederá.
O mundo não pára,
e ninguém jamais se importará.
Toda beleza morre, 
toda alegria se desfaz,
as pessoas divertem-se com a
desgraça alheia.
Descobri a indiferença,
para depois, com um orgulho no olhar, 
dizer foda-se.
Numa sensação de fracasso eterno,
perdido entre aceitar e continuar,
aprendi a apreciar a paixão pela dor na imensa solidão no mar das dúvidas.