19.2.16

NÃO TENHO QUE SER MORTO POR TANTA RUINDADE

Não costumo perder tempo cogitando a possibilidade de sentir arrependimentos. Ainda estou sustentando minhas palavras e ainda sou firme quando vou trazer minhas visões para o mundo real. Meus pensamentos e minhas vontades estão seguros guardados como segredo e meu olhar congelante está sem um foco carnal. Minha cabeça, como sempre, está erguida e minhas míseras lágrimas foram por mim enxugadas. Não é mais possível passar um dia sequer sem escrever e não é mais possível olhar para as pessoas sem querer jogar minhas palavras na cara delas. Eu engulo as ofensas e afrontas que até mim chegam, mas ninguém jamais conseguira prever minhas ações. Estou distante de todo tipo de pessoa, mas a duplicidade ainda insiste em me procurar. Estou longe de qualquer tipo de sentimento alheio, mas insisto em demonstrar interesse. Estou tão diferente de um certo eu e muito distante de tudo que almejei um dia. Meus caminhos são estreitos demais e minha vida um tanto bagunçada, então não possuo tempo para as pessoas e nem ânimo para aturar os problemas irrelevantes apresentados pelo "afeto" alheio. Minhas palavras já foram enterradas dezenas de vezes por humanos que diziam zelar por minha companhia. Depois de ter sido ignorado e declarado morto, deixei de aproveitar as novas oportunidades de olhar nos olhos de quem eu gostava para dizer as verdades que eu considerava importante.

Tanta ruindade

Hoje eu estou em pé e não preciso mais me rastejar pelas pessoas que haviam decretado minha morte. Costumo dizer que estou vivendo um sentimento de enojamento e estou passando a colocar toda a fé e valores que minhas palavras merecem. Não estou morto e meu discurso é realmente sólido. Meus sentimentos levianos estão mortos, mas não estou de luto por eles. Meu entusiasmo pela vida é algo particular e reservado. Meu ânimo pelos olhares por aí espalhados, é algo meu e não é da conta de estranhos. Eu tenho meus versos e minhas orações ao meu favor e não tenho que ser morto por tanta ruindade