5.6.16

A CHUVA ME TROUXE VIDA

chuva

A chuva cai lá fora, mas a minha felicidade continua guardada dentro de mim somente esperando outra oportunidade para ser colocada em exposição. Os meus sonhos estão bem quietinhos aqui do meu lado e a minha cabeça roda um filme antigo demais para ser compartilhado. Eu vejo meu olhar vazio refletido na janela do quarto, enquanto o mundo acontece lá fora. Eu estou em um relacionamento muito sério com a solidão, mas estou com saudades de sentir um pouquinho da agitação que permeia a vida daqueles que - lá fora - são normais.

Eu sei exatamente que minhas estranhas maneiras de falar, agir, me vestir e pensar me colocaram afastado de todos que - lá fora - são normais, mas eu nunca soube como aprendi a lidar bem com a solidão. Eu abracei o imenso silêncio e arrastei minha cadeira para mais perto da janela para ver somente a chuva cair. É verdadeiramente linda a cor da vegetação que recebe aquela água pura e fresquinha...

Abri a janela e coloquei meus braços para fora, somente para me sentir portador de uma cor verdadeiramente linda. Enquanto eu desejava, mesmo que fosse secretamente, me sentir parte vive de alguma coisa, a vida me lavava e me dava cor. Eu já tinha a certeza de que eu pertencia a tudo que estava a minha volta, mas, no meio do dia, costumo me sentir perdido e deslocado. Mas hoje a chuva me reafirmou que meu lugar é aqui sozinho e inquieto, sozinho e calado e fisicamente só, mas seriamente a vida conectado. Eu peguei a vida - que trouxe a chuva - em minhas mãos, e tudo isso numa bela tarde de solidão.