23.6.16

UM CERTO MEDO

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Eu sempre tive um certo medo de ficar sozinho, mas notei que se faz necessário um pouco de solidão. Eu nunca pensei que choraria sozinho, mesmo precisando de alguém para enxugar minhas lágrimas. É engraçado e doloroso notar o quanto os dias parecem anos quando tenho que lutar sozinho. Eu sei que um lado do meu coração ainda continua arrumado, porém o lado bagunçado cobra uma arrumação. Quando minha sanidade foi embora preferi ficar sozinho e desde então tenho medo da luz, das pessoas, do ar, da noite e de tudo que está a minha volta. Agora eu percebo que minha loucura tinha limite e que o limite foi minha própria falta de compreensão que estabeleceu. Quando pedi que todos fossem embora, partes da minha alma se foram e minha identidade ficou junto de meus amigos. Meu sorriso ficou naquelas últimas conversas e, pra ser bem realista, ele não era mais sincero. As palavras que preciso ouvir para tudo ficar bem estão tão longe e foi eu quem as afastou. Nunca havia me sentido tão confuso e com tanto medo antes. Parece que tudo que faço foge do meu controle e as vezes sinto que nem sou eu falando, ouvindo, sentindo ou chorando. Pedi para que todos fossem e desde então passei a contar os passos que dão cada vez mais longe de mim. Percebo que preciso de alguém, mas não permitirei que meus problemas afetem quem está a minha volta.

"Um Anacrônico" - 7/1/15