A VIDA VIVE MESMO NA MORTE

Por Tiago Lima - 27.4.19
Fotografia de Olívia Vieira para o projeto "Abril 30/30" do Limoções.
A vida é feita de tudo que vivi. Os sonhos que sonhei e os sorrisos que dei são feitos de vida. As palavras que escrevi e aquelas que tive medo de falar fazem parte da vida que vivi. Os amigos que cultivei, aquelas amizades que desmanchei, as pessoas que conheci e os amores que amei são feitos de vida. A vida é vida, mesmo que as vezes pareça que ela deixou de viver enquanto eu davas os passos que escolhi.

E foram de juramentos não cumpridos e de sonhos desmanchados que meu trajeto foi escrito. O medo prescreveu a injustiça e a esperança foi pisoteada pelas armadilhas que foram dispostas em cada trilha. Tinha que ser assim para que a vida me deixasse viver. Acima de toda dor que senti está a vontade de não deixar que a vida me derrube, me faça desistir ou desacreditar em tudo que construí. A vida pode ser vida, pode ser vivida, pode ser escrita, pode ser premeditada, pode ser a única estrada, mas eu fui a vida que escolhi.

E mesmo que continuar a viver signifique causar novas feridas, eu escolho viver cada circunstância. Sou apenas uma pessoa lutando para chegar a algum lugar, para ter algo além das quedas, para ser algo além da desistência, para considerar um significado para a minha existência e para não deixar de viver. Posso considerar que a vida não passe de uma maldição, que o viver dói e corrompe, que cada fase do trajeto é suja e dolorida, que a vida castiga aqueles que não sabem viver, mas estou aqui para que as quedas me alcancem, para que o medo me alcance, para que novas dores me traumatizem, para que novas feridas me doam. Eu sou vida fragmentada que escolheu viver mesmo na morte.

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