2.3.16

SINTO QUE SINTO


Acho que não me vejo no espelho. 
Sinto tudo que até mim chega, 
Mas parece que fiquei embaixo de sensações impróprias
Das minhas apropriações solidárias de sentimentos não meus.

A fumaça que estou inalando, este chá que estou bebendo,
Essa dor de cabeça que sinto e essa tristeza em mim intrínseca 
São características únicas da minha exclusiva existência.
Mas nunca conseguirei aprender a separar o que sinto
Do que até mim chega.

Nunca, realmente nunca, havia percebido que as sensações alheias
Fizeram-me de fantoche.
Até onde sou o que sou. Eu sou mesmo eu?
Parecerei eu quando jogar fora esse acúmulo que não me pertence?

Sou verdadeiro!
Sinto cheiro de lixo, mas não sou eu. 
Sinto que sinto, mas sinto que não sou eu.