MEU TUDO

meu tudo

Eu sorri o suficiente assim como já chorei o suficiente para conseguir descobrir e/ou entender tudo de que preciso. Eu já pensei o suficiente assim como já confabulei o suficiente para assimilar com clareza que realmente sou sozinho no meu imenso mundo paralelo. Eu já pensei estar errado toda vez que me conformava com a solidão, mas parece que as consequências das expectativas são drásticas e marcantes demais. Acho que não dei valor a todos os momentos de crescimento que se colocaram em meu caminho e não aproveitei com destreza todos os momentos de ensejo proporcionados pela vida. Minha existência nunca foi meu tudo até que me tornei o único ser a habitar meu próprio mundo. Eu lutei e relutei contra minhas próprias argumentações e me joguei ao silêncio para não ter que assumir que, como um animal indefeso, estava trancado dentro de uma gaiola. O meu orgulho sempre foi poder falar de liberdade enquanto o meu coração não recebia qualquer cuidado. O meu orgulho sempre foi poder falar de autenticidade enquanto eu temia minha própria natureza. Viver, independentemente das causas, sempre foi meu objetivo. Conhecer, independentemente do medo, sempre foi o meu desejo. Não sei exatamente de onde essas palavras estão vindo, mas posso dizer com clareza, serenidade e sem qualquer preocupação que elas são o meu tudo. Nunca fui de fazer uso de um ego gigantesco e jamais consegui falar exclusivamente de mim, porém a distância que desenvolvi comigo mesmo me fez olhar quem sou de longe... Não vi o que desejei ver e também não sei o que desejei ver, mas vi um alguém desconhecido, cansado e preocupado demais com as tentativas de cumprir cada papel de protagonista que lhe fora entregue. Não sei se estou viajando por sentimentos temporários ou se minha existência tem sido duradoura demais, mas tenho certeza de que não posso seguir meu caminho a beira desse abismo sem poder me alcançar, me tocar, me sentir e me amar com realidade, força, bravura e convicção. Não me sinto totalmente perdido, porém estou incompleto. Não me sinto inteiramente perdido, porém estou desnorteado. Vale a pena cada passo que dou. Valeu a pena cada passo que dei. Valerá a pena cada passo que eu der. Eu preciso me sentir bem no lugar que estou e preciso me acostumar com a solidão magnifica que me rodeia no meu mundo imperfeito. Eu necessito me sentir real e sólido independentemente das minhas vestes, do meu calçado, do meu cabelo ou cor de pele. Eu quero ser meu tudo. Eu quero ser tudo que tenho. Eu quero me sentir como um tudo. As vezes me jogo ao chão para sempre me manter perto daquilo que sempre acreditei ser: sincero e simples. As vezes fujo para o meu nada imaterial para simplesmente ouvir os gritos que ecoam da minha - por vezes - complicada mente. Sabe, eu fui composto de contrastes e é exatamente por esse motivo que a cada amanhecer passo por severas mudanças. Minha solidão tem sido minha melhor amiga desde que percebi que o meu mundo é imperfeito demais para abrigar qualquer outro coração, mas tudo o que eu tinha foi alterado, roubado ou se desmanchou quando tentei participar do mundo de outro alguém... Exatamente por ter me descuidado, perdi o sentido de ser acompanhado por tanto espaço, tanto silêncio e tantas palavras. Eu sei que tudo de que preciso é entender de que eu sou e sempre serei o meu tudo.