QUALQUER

Sou tão pouca coisa
Que até mesmo a poeira é maior que eu
Sou tão pequeno e frágil
Que até mesmo o vento é mais forte que eu
Sou tão singelo e incapaz
Que até mesmo os raios solares são mais enérgicos que eu

Não consegui ser ainda
Nem um terço dos meus sonhos de infância
Não consegui ser ainda
O sinônimo de alegria que desejei para mim
Não consegui ter ainda
O meu pedacinho de qualquer coisa para chamar de meu

Nem agitado ou calmo
Estou simplesmente a refletir
Que concluo a cada dia
A minha impotência
A minha eterna desimportancia
E não me importo em ser nada
Em não ter absolutamente nada
Não sou nem mais nem menos do que desejei
Simplesmente só aquele que é qualquer
Qualquer sorriso pelo mundo
Qualquer lágrima pelo mundo
Qualquer pequena conquista por aí
Ou qualquer grande perda constante
Eu simplesmente sou qualquer
Mas não sou somente um qualquer
Como qualquer outro por aí.