23.8.16

ESSE NOSSO AMOR


Para, respira e aceita que amar não pode ser algo ruim.

Depois que nos afastamos, me mantive em silencio para tentar entender o que havia acontecido entre você e eu. Confesso que mesmo em silêncio e com uma dor insuportável que insistia em me torturar, eu não deixei de viver a minha vida. Confesso que tentei, por vezes, te esquecer e te apagar de mim. Confesso que corri de tudo que eu sentia por você e corri de mim para não ter que lidar com meus próprios machucados, minhas próprias dores. Fiz loucuras, gritei, chorei, gostei, odiei, caí, me quebrei, me levantei, me calei, falei, gostei, desgostei e nada jamais superou o que eu sentia por ti. Mais uma vez, como diversas outras em minha pequena vida, eu tive que ficar sem para poder perceber que é exatamente de você que preciso.

Atualmente estou no processo de readaptação ao sentimento de amor. É como se eu estive engatinhando para a felicidade, para a reciprocidade, para a cumplicidade, enfim, para uma vida entre duas pessoas que compartilham o mesmo sentimento. Eu já havia passado por tudo isso, aquela coisa de decifrar os olhares e se sentir bem com um sorriso, mas em um certo tempo tudo parecia estar perdido e morto. Parece que o meu amor teve que sofrer e até mesmo ser morto dezenas de vezes para que ele fosse inteiramente compreendido e aceito hoje. Sabe, eu sempre fui muito desligado e completamente focado em problemas meus que as vezes eu perdia ou simplesmente na captava vários sinais de uma paixão mutua - um amor legitimo - que me fora entregue. Sim, eu fui, por vezes, um verdadeiro bobão.

Falando diretamente ao meu amor que tem forma física, você fez de mim algo que eu jamais imagina para mim. Você me curou de dezenas de dores e me coloriu depois de ter juntado cada pedaço de mim que você encontrou pelo chão. Compartilhou o peso de fardos que esmagavam a minha essência e se propôs a me aceitar com todos os meus milhões de defeitos. Eu te chamaria de louca se não me sentisse da mesma forma que você. Eu te condenaria a passar a vida trancada num hospício se eu não compartilhasse do mesmo sentimento que você. Você me conheceu na tragédia e na dor e se manteve comigo nas tragédias e dores que se sucederam depois que você me revelou o que sentia por mim. Sim, você que se declarou, pois eu, em minha infinita maneira de ser desligado, não havia percebido seus sinais bem intencionados e bastante escancarados. Hoje eu vejo que naquela tarde, naquela mesa, naquela praça, naquele fatídico dia no qual você me fisgou, eu dei inicio a história que possivelmente não poderá ter um final ruim.

Naquele dia que eu te convidei a passar o resto de sua vida ao meu lado, eu não agi por impulso ou simplesmente por um mero entusiasmo. Quando concluí que é você que verdadeiramente importa, certamente, fechei cada pedaço de mim para qualquer coisa ruim que mais uma vez tente se posicionar entre você e eu. Quando você decidiu me aceitar de volta, foi ciente do que era bom e o que era ruim em mim. Então corre lá para todos aqueles que ouviram de você as irrealidades macabras de quem nunca fui e avisa que estamos de volta juntos e você errou feio ao acreditar que eu simplesmente te odiei, que eu simplesmente senti prazer ao te machucar. Ambos caímos e nos quebramos, juntos manchamos o nosso amor, mas estamos aqui novamente para reconstruir cada pedacinho de nós que acredita piamente nesse nosso amor.