1.8.16

UMA MERA PORCARIA

Não quero parecer corajoso
Não quero demonstrar que sei lutar
Não quero ser definido por conquistas
Não quero ter que jogar qualquer jogo

Eu tenho o direito de não querer ser medido
O direito de não querer ser comparado
O direito de não me importar com o que pensam de mim

Posso ser fracassado
Posso ser outros mil sinônimos
Mas jamais me defini por palavras
Mal ditas e equivocadas

Bem vivida ou mal vivida
A minha vida é minha

Sou eu que carrego meus fardos
Minhas tristezas
Minhas alegrias
Minhas perdas e conquistas
Sou eu que sofro calado
Que engulo sapos
Sou eu que decido para onde seguir
Se me levanto ao cair
Somente eu sei
Quantas vezes lutei
Por causas minhas
Por sonhos meus
Que viraram pó
Que foram destruídos
Só eu posso dizer
Quantas vezes chorei sem querer
E outras quantas vezes estive em pé sem poder
Somente eu posso afirmar
Que desde que nasci não parei de lutar

Eu não posso acreditar
Que mesmo sendo a pessoa que vive a minha vida
Eu ainda corro o risco de ser reduzido
A uma mera porcaria.