23.8.16

HABILIDADE DE AMAR


Hoje, em mais um ensejo, percebi que não tem como aceitar a solidão, não tem como dizer que me aceitei solitário e não existe qualquer possibilidade de eu me aceitar apartado de todos. Confessei a mim que já foi bom permanecer escondido e em silêncio alguns momentos, curtindo meu abandono e o ato de me esquecerem, porém também me confessei que já foi horrível e doloroso permanecer sozinho e abandonado. Quando estive só não foi simplesmente porquê eu quis e quando decidi ficar com alguém foi simplesmente porquê precisei estar com alguém. Tive medo de amar e um medo maior de ser amado. Tive medo de ficar dependente de um amor e tive mais medo ainda de alguém depender do meu amor. Talvez eu não soube reagir com o que tinham para me entregar e, de fato, não reagi bem quando me entregaram um amor que pudesse acabar com a minha solidão. Eu me disse, com potencial certeza, que morri semana passada e renasci hoje, pois não teria outra explicação para a minha súbita vontade de amar e ser amado. Minha repentina vontade de ter um amor forte e verdadeiro e ser para alguém um amor forte e verdadeiro me assustou pela manhã, porém, nesse exato momento, me sinto bem e esperançoso. Tudo de que sempre precisei para não me sentir sozinho sempre esteve perto de mim. Hoje eu, no meu processo de ensejo, me posicionei na janela, fechei meus olhos, coloquei meu rosto no sol e respirei fundo a brisa da tarde e me senti bem aconchegado nas minhas certezas. Mas sabe o que é o melhor disso tudo? Estou conhecendo uma habilidade em mim que eu jamais imaginei.