20.8.16

VELHAMENTE MAIS NOVO


O mundo já me fez e me desfez, me quebrou e me remendou e já fez de mim o que ele exatamente queria. Eu não mudei muito ou evoluí ao ponto de ser ou ter todos os meus sonhos de infância realizados, na verdade me lembro somente de cerca de meia dúzia de sonhos da minha infância. Eu me sinto velho demais para ter que viver minha juventude ativamente como um verdadeiro e autentico jovem, mas meu pai insiste em me dizer que ainda sou jovem e as vezes ele diz que sou novo também. Já fui novo um monte de vezes, mas hoje me sinto usado.

Minha vida calmamente conturbada sempre foi marcada por acontecimentos inesperados, pois sempre evitei me estabelecer metas ou fazer muitos planos. Sou meio desnorteado com tudo e meio ressabiado com a possibilidade de planejar e acabar me decepcionando depois. Talvez eu realmente seja um reflexo mal feito ou mal refletido do meu pai, pois ele também nunca fez projeções ou planejamentos para a própria vida, mas, diferentemente de mim, a vida para ele sorriu um pouco mais.

Hoje voltei a ter meus onze anos, e sentei bem no meio da sala para escrever esse texto. As vezes gosto de me sentir velhamente mais novo para poder simplesmente ter uma habilidade pura que por vezes me foi um defeito: brincar de ter sonhos de juventude.