9.4.16

SÉRIE FOTOGRÁFICA: A NATUREZA VIVA EM TRANSFORMAÇÃO

Senhoras e senhores, apresentamos hoje a quarta fase da série fotográfica "A Natureza Viva em Transformação" que está sendo desenvolvida por intermédio de uma parceria entre eu (Tiago Lima), Limoções e minha excelente fotógrafa e amiga Olívia Vieira:

FASE 4 - Vargem, 12 de setembro de 2015.

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Tiago Lima

Se eu disser que me senti acolhido na cidade de Vargem, eu estarei sendo um grande mentiroso. Nunca fui bem recebido pelos habitantes daquele município com traços gritantes de uma legitima cidade de interior, mas não levarei em consideração a antipatia de quem lá reside. Toda vez que estou em Vargem, me sinto livre de rótulos, de padrões e totalmente imune a ação do tempo. O lugar se fixou numa especie de fenda temporal e mesmo sendo fitado por olhares desconfiados, ninguém te julga por sem quem você quiser ser. Nessa cidadela eu me sinto filho de uma natureza exuberante demais e consigo sorrir como se estivesse novamente vivendo minha infância no sitio.

O dia era meio umbroso e tínhamos folego para caminhar. Não estávamos ali para realizar qualquer captura fotográfica. Nosso propósito era conhecer tudo que pudéssemos naquela redondeza. Nos aventuramos por estradas desertas e visitamos perspectivas que nos apresentavam a imensidão das coisas. Mesmo sem qualquer pretensão de realizar um ensaio fotográfico - ou uma coisa do tipo - decidimos registrar aquele momento. A Olívia pegou seu telefone móvel e efetuou diversos cliques. Eu simplesmente me entreguei ao talento da minha amiga (claro que sempre dando pitacos e palpites) e a simplicidade do local foi eternizada em fotografias que transmitem paz, harmonia e um dia curiosamente "leve em cores".

Eu, aparentemente, estava bem. Com leveza e devoção analiso, ou melhor, aprecio silenciosamente e cautelosamente tudo que meus olhos conseguem "tocar". Confesso que apesar de ter perdido folego andando tanto, a vibração espetacular do lugar me deu uma renovada. Me lembro de não ter tido muito contato com a natureza naquele ano, então quando estive na presença da mesma logo me rendi ao seu poder de restauração.

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Nesse momento eu já tentava aproveitar cada momento ao lado da minha querida Olívia Vieira, outrora que ela viajaria no mês seguinte.



De fato, a lembrança mais marcante foi exatamente essa: um dia memorável na presença da minha irmã, amiga e companheira de vida. Nós dois já havíamos nos aventurado por lugares e tinhamos feito tanta coisa, mas, em silêncio, nos preparávamos para o "um até logo" que aconteceria em breve...


Olívia Vieira
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Essa pequena aventura com destino à Vargem veio de forma completamente repentina. Antes que pudéssemos planejar qualquer coisa já estávamos lá. E que bom que fomos impulsivos. Nem tudo na vida tem que ser planejado, analisado, programado ou mesmo pensado. A vida nos permite o livre- arbítrio para arriscar viver. Como poderíamos viver, no sentido mais amplo dessa palavra, numa eterna rotina toda certa e planejada? Creio que não estou errada ao pensar que esse aspirante escritor do Limoções, Tiago Lima, é um bom exemplo de alguém que não se prende as rotinas, à um lugar habitual, já que fomos apresentados à diferentes cenários através de suas fotografias. Ele me inspira à espontaneidade de se arriscar.

Nessas inesperadas fotografias, imergimos ao tons verde dos campos que seguem o fundo de cada captura. Apreciamos a beleza da cidade rural e tentamos registrá-las em meras fotografias feitas ao acaso. E para manter ao menos o velho costume, coloquei o Tiago em frente à "câmera", que já transpirava a tal leveza silenciosa que entrava em união com a vasta campina que escondia os horizontes.

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No que se trata de fotografia, sempre gostei da maneira tradicional: com uma câmera fotográfica. Mas dessa vez, me desafiei a fazer as fotos apenas com a câmera do celular. Claro que a súbita ida à Vargem e a insistência do Tiago em me fazer tirar fotos com o celular contribuíram para que isso acontecesse. Uma câmera compactada não oferece tantas possibilidades de "mecanismos de imagem", entretanto soubemos improvisar e fazer capturas maravilhosas.






Peço licença agora para escrever um pouco mais sobre dia que permanece com carinho em minha memória. Dos momentos que compartilhei com meu irmão e cúmplice de peripécias, guardo o sentimento de estar e viver fora daquilo que nos era comum, de ter visto aqueles dias reservados apenas para nós. Simplesmente, pude sentir a naturalidade fluindo, o dia seguindo sua naturalidade e as conversas estendidas por um atraso de ônibus.

As caminhadas sem direção nos trazia uma brisa harmoniosa e saudosa nos levava a refletir e somente aproveitar o dia e a companhia um do outro e que hoje consigo identificar nesses trechos de poesia:

"Colha o dia, confia o mínimo no amanhã.
Não perguntes, saber é proibido, o fim que os deuses darão a mim ou a você
(...)
Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento está fugindo de nós.
Colha o dia, confia o mínimo no amanhã. 
Podemos sempre ser melhores.
Basta pensarmos melhor."

Carpe diem; Horácio
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Essa não foi a primeira experiência de fotografias através do celular, mas as claramente o Limoções irá apresentar esse feito. Por isso convido vocês, leitores, a ansiar comigo pela quinta e última fase dessa série fotográfica que tanto me orgulho, A Natureza Viva em Transformações.