Senhoras e senhores, apresentamos hoje a quinta e última fase dessa série fotográfica que marcou fases, refletiu mudanças, apresentou lembranças e expôs a amizade legitima que a minha querida fotógrafa Olívia Vieira e eu construímos. É com muito carinho e estima consideração que está no ar a nossa Fase 5;
Bragança Paulista, 23 de setembro de 2015.
Tiago Lima


Ainda bem
Que minha fotógrafa é minha amiga
Porque senão
Como seria colecionar lembranças
Se elas fossem sozinhas vividas?
Rasgamos roupas pulando cercas
Rimos alto quando pulamos o muro
Por ansiar, ansiar
Presenciamos cores vivas
E desfrutamos de cenas memoráveis
Que nessas fotografias estavam escondidas
Não existem transformações mais marcantes
Que aquelas que estão numa fotografia cravadas
Ainda bem
Que a aventura esteve unida a amizade
Porque senão
Como poderia ter lembranças para lembrar
Se elas nem fossem construídas?
Rasgamos o espaço tempo registrando momentos
Rimos do "perigo" escondido no desconhecido
Por amar a vida, por a vida amar
Presenciamos o pôr do sol
E desfrutamos algumas vezes da belíssima aurora
Que fora, pelo menos outras várias vezes, a madrinha
Das nossas capturas, aventuras
Não existem transformações mais marcantes
Que aquelas que estão numa fotografia cravadas.


Olívia Vieira

Se perguntar como fomos parar nesse lugar, não saberei responder. Se perguntar porque fomos
nesse, continuarei sem respostas. Mas se perguntar porque estávamos juntos então te responderei
porque queríamos estar juntos, curtir a companhia um do outro mais uma vez.
Essas fotografias mais uma vez surgiram do inesperado. Em nossos costumes de caminhadas, pedi
para que o Tiago me apresentasse o cenário que ele tanto falava que fez parte de um dos seus
projetos, Um Dia de Sombras. Sempre nos rumos impulsivos acabamos neste lugar. Nos destroços
me vi explorando uma nova maneira de fotografar, uma nova visão. Cedi meu chapéu, me afastei
um pouco e quase como por uma ligação automática Tiago compreendeu e fomos seguindo as
formas e os movimentos que o presente nos dava. Empunhando apenas um simplório celular, as
fotografias foram se compondo em minha frente.
Dentre as várias formas que fotografei nesse dia, destaco duas que surpreenderam até a mim
mesma. A primeira é a usar diferentes fundos, como as paredes maltratadas, o verde que crescia em
um lugar desajeitado e uma cidade do interior com detalhes de urbana, com faíscas de luz solar que
entrava pelas janelas ou até mesmo pelas fissuras para brincar de tonalizar com a paisagem.





A segunda é justamente o contrastes que se formavam as silhuetas. Suas nuances se revelava nessas
fotos e revelava o entrelaçado entre as tonalidades do imenso céu, o horizonte intenso e a figura em
primeiro plano que carrega a poética de se transformar, tudo em sua única e perfeita harmonia.
Esse simples experimento me deu mais uma carga de aprendizado na arte de fotografar e me
mostrou que até mesmo na escassez de tecnologias podemos dominar diferentes técnicas e fazer
belíssimas capturas.


Esse é o último capítulo dessa série de fotografias tão marcantes e, sem dúvidas, memoráveis, onde
a cada captura pudemos acompanhar A Natureza Viva Em Transformação, se diversificando,
recriando, mudando, renovando e ousando apenas ser diferente. Sou imensamente grata por cada
breve ou longo momento que essa experiência me trouxe e que serão guardadas com todo o
carinho. À todos os leitores deixo o meu muito obrigada por ter acompanhado cada uma dessas
fases, vislumbrado as fotografias e ter acolhido de bom coração minhas singelas palavras. E ao Tiago Lima, meu irmão, parceiro, amigo, inspirador e, tantas vezes, modelo, agradeço pela insistência e
paciência em cada clique e por mais do que isso por ter sido aquele cara que tantas e tantas vezes
me mostrou novas maneiras de ver e se deixar inspirar.
À você que uma vez recitou Vinicius de Moraes, te retribuo pelas mãos do mesmo autor um escritos
que me faz lembrar esse e tantos outros fins de tarde...
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinicius de Moraes; Soneto do Amigo.
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