Aceitação é uma palavra tão suscetível a interpretação ambivalente. Me vi fazendo uso do aceitar em inúmeros momentos. Eu aceitei permanecer, aceitei ouvir, aceitei a perdoar, aceitei amar, mas jamais estive verdadeiramente interessado em me aceitar. A aceitação que conheci sempre esteve atrelada ao desconforto, sendo permeada pelas minhas tentativas constantes de ser absorvido em algum meio. Ser aceito é algo que está inerente ao fato de sermos humanos. Tenho a plena certeza de que nascemos para viver em pares, para conviver em grupos e para encontrarmos nossos iguais. A certeza que tenho sobre a aceitação sempre se apresenta para além daquilo que eu também deveria aceitar em mim. Parte do amadurecimento de uma pessoa é alterar o foco da sua existência, tornando possível caber em si, sendo deixado para o passado as tratativas de preenchimento de espaços.
A aceitação, pelo menos no meu caso, é uma palavra que jamais conseguiu se desvencilhar do amor. Quando a gente é aceito, a gente também começa a ser amado. Vejo meus cabelos brancos - precoces para a minha idade - e sinto vontade de respeitá-los. Olho para o meu acervo de textos e sinto vontade de simplesmente respeitá-los. Pulei uma etapa importante sobre a aceitação e sua condição íntima com o amor: a autoaceitação. Muitas vezes, naqueles lapsos de maturidade, me orgulhei do que sou, fazendo questão de encher meu peito de satisfação e contentamento. Entretanto, não me aceitei por completo, pois aceitei aquilo que era expelido de mim e era aceito do lado de fora. O amor deveria ser incondicional. Mas o amar parece sempre estar condicionado a algo, ao interesse, ao fato de que os pares precisam apresentar similaridade. Nos meios em que meu corpo jamais fora aceito, a conjunção da obra que sou teve inúmeras potencialidades aproveitadas, assim como tantas outras invalidadas. O amor é questionável e a aceitação sujeita a manipulação - não posso dizer o contrário nesse parágrafo.
"[...] Um amor tão caro assim, não dá pra mendigar... (DALASAM, 2022).
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