15.9.16

CURTA E FRACASSADA EXISTÊNCIA



Eu precisava mesmo desabafar. Eu precisava gritar, chorar, encher a cara, me lamentar e até mesmo me jogar no chão para colocar para fora toda a espécie de sentimentos que tomaram conta de mim por hoje. Deus é a minha única testemunha e sabe que, pelo menos por hoje, não consigo derrubar qualquer lágrima, Ele sabe que tudo está preso - bloqueado - dentro de mim. Apesar de desejar muito me entregar ao sentimento de lamentação, não posso expor aqui e nem agora as minhas dores e angustias.

Me dói muito mais ter a plena consciência da força da minha atual impotência que tem me obrigado a ouvir calado, a ver calado e a viver calado as dores e agonias de todos aqueles que amo. Me remói o sentimento de me sentir um zé ninguém, uma merda e um verdadeiro fracasso. Me corrói as comparações e me destroem as acusações e me matam todas as palavras que me são entregues nos momentos de desabafo. Me sinto confuso cada vez que sou bombardeado. Não sei o que fazer toda vez que tenho um dedo apontado em minha direção. Não sei de onde arrancar forças para responder ou para simplesmente não mais sofrer perante todas essas situações. Não posso continuar a vislumbrar a desilusão e a perda constante de fé de todos aqueles que me disseram todas aquelas palavras de motivação. Não conseguirei suportar ser o portador da derrota e o percursor de grandes novos desgostos.

Vezes antes não pudi me conter, respondi e chorei, retruquei e ofendi, gritei e machuquei e me acabei em nada. Hoje eu estou aqui frio e congelado na minha própria dor que tem crescido a cada dia. Tenho absorvido tudo que me é entregue e tenho me acabado em solidão, em palavras não ditas, em sentimentos mal interpretados e, acima de tudo, tenho me perdido nas desgraças e tragédias não minhas que se sucederam por erros contínuos de todos aqueles que amo. Estou afogado em lágrimas que não poderei colocar para fora e se eu não puder efetivamente ser útil, prefiro morrer com a glória de todas as minhas palavras, de todos os meus sonhos, de todos os meus passos, enfim, com a glória da minha curta e fracassada existência.

"Eu queria
Chorar.
Eu juro por Deus
Que eu queria
Chorar
Mas eu não
Consegui, e era isso
Que me matava.
O pior choro é aquele
Que ficou por
Chorar.
É o nó na garganta
Que não desata.
Quando se é duro demais
A lágrima
Petrifica
Em certos momentos.
E em certos momentos
Isso dói mais
Que um tiro.
É uma bomba
Que explode
Por dentro.
E eu desabo
Quando ninguém
Vê."