7.9.16

CENA CINEMATOGRÁFICA



A cena era única e totalmente cinematográfica: Eu andava por aquele caminho sozinho enquanto o tempo era nublado e frio. Mesmo com todo ar de melancolia que fazia questão de marcar aquele dia como peculiar, não havia tristeza e nem solidão, mas havia uma alegria escondida dentro, bem lá no fundo, do meu coração. Me recordo como se fosse há pouco, eu não me importava com a sujeira de terra em minha roupa e não fazia qualquer questão de estar com os pés no chão. Aquele momento me era único.

Não me era necessário implorar o amor e a única coisa que ali importava era encontrar uma pequena possibilidade de cravar em mim para sempre aquelas cenas que eu vislumbrava enquanto caminhava. Inevitavelmente eu sorria, imperiosamente o vento soprava meus cabelos e sem precisar me obrigar eu andava sem me queixar. Naquele dia, aquelas pedras que já tinham ouvido minhas lamentações, eram testemunhas imóveis da minha loucura sensível e passageira que me fazia sentir parte daquela viva e rica natureza.

Não conseguirei me esquecer jamais que escolhi depositar minha alegria exatamente no meu amor à rica vida que me cerca. Por tudo que já passei, por todas as causas que já lutei, por todos os meus caminhos já traçados, por todos os sorrisos já fotografados, por todas as lágrimas que já foram ao chão foi que decidi entregar meu coração ao vento e ao tempo de cada coisa que ainda terei de viver.