PLANO DE FÉRIAS


Se eu tivesse a opção de tirar férias, com certeza, não pensaria duas vezes antes de ir para longe, para qualquer lugar que eu não conhecesse ainda. Eu arrancaria de dentro de mim todas as minhas aflições para conseguir descansar em paz. Não me deixaria para traz, mas cumpriria minhas férias em paz. Estou cansado de toda manhã ser a mesma, toda tarde ser parecida e toda noite ser longa demais. Preciso mesmo me afastar da minha agitada monotonia.

Quando eu conseguisse me esvair de todas as minhas tormentas, tentaria arrumar a minha casa, o meu interior. Talvez eu tivesse coragem de me definir prioridades se já não estivesse tão cansado de sempre carregar todas as mesmas amarguras. Preciso ficar um pouco comigo mesmo, mas sem qualquer interferência emocional ou física que pudesse atiçar todas as minha preocupações. Não sei explicar, mas me sinto usado e posteriormente descartado, como se alguém tivesse sugado tudo de bom que existia em mim. Me sinto um carro velho que deu um problema insolucionável e teve que ser abandonado - deixado de lado - na beira da estrada depois de ter sido útil muitas dezenas de vezes.

Não consigo mais me ver em reflexos, pois não sei em que momento tomei para mim uma expressão de um alguém cansado e sobrecarregado. Não consigo mais olhar para o relógio despreocupadamente, pois o tempo parece brincar comigo; uma hora os dias passam rápido demais, outra hora cada bendito dia parece anos. Eu não consigo me dar bem com a cronologia, pois estou estagnado na poeira dos meu sonhos que foram desmantelados pela minha desistência, pela minha falta de persistência.

Por vezes já imaginei fugir por aí sem ter para onde ir, sem ter com quem contar, sem ter um lugar para esconder ou um lindo lugar para explorar, mas fui impedido pela minha preocupação pelo o outro, pela minha eterna gratidão por todos aqueles que torcem por mim.

Há tempos que tenho ficado isolado, no meu cárcere, refletindo sobre quais alternativas tenho para conseguir alcançar a minha tão desejada férias. Por vezes desisti de fletir por não querer mais sofrer no mar de tantos pensamentos, de tantas aflições. Estou aqui sentado de junto desse botão de rosa que assisti desabrochar e, pelo menos por hoje, essa será a única atração do meu plano de férias.