O RAPAZ SE CONTRADISSE


O rapaz se recolheu e se encolheu diante de todos os seus erros e acertos. Ele não tinha nem ânimo e nem vontade de sair por aí consertando as coisas ou simplesmente não se sentia obrigado a preencher cada pedacinho da sua existência com acusações e julgamentos. O coração daquele rapaz já era cheio de amores e de desamores, mas seu maior desamor era por ele mesmo. Seu problema sempre fora com quem ele jamais fora, com um alguém que insistiam impor sobre a sua pessoa.

Por tanto tempo aquele rapaz procurou ser aceito, mas sua busca havia cessado abruptamente pelo motivo de que ele decidiu não se importar com a falta de aceitação alheia. Ele, mesmo tendo continuado a ser ser humano, viveu bem ao lado de si mesmo. Mesmo que por vezes ele vivesse no seu pequeno quadrado longe de qualquer outro contato, teve a chance de ser bom ou ruim, de ser real ou falso, de fazer o certo e fazer o errado e teve a chance de se desmontar e remontar dezenas de vezes.

De repente, sem qualquer prelúdio, esse mesmo rapaz caiu em contradição. Quebrou em centenas de pedaços seu remendado coração e chorou muito querendo poder voltar no tempo. Falou, escreveu, justificou, chorou, pensou, repensou e não se encontrou nas consequências da sua insanidade. Ele questionou sua existência por não aceitar errar. Se perdeu em uma sequencia drástica de inconstâncias por puro medo de não ser visto na sua loucura. De repente esse rapaz se acabou por não acreditar que era possível perder a sua essência enquanto ele não estivera a pensar. Ele não aguentou se manter sozinho e não aguentou segurar o peso da sua cabeça. Caiu naquele canto escuro daquele pequeno quadrado, se encolheu e trouxe para perto de si todos os seus receios e ali ficou.