RELES EU


Depois de ler aquelas palavras sentei no chão para refletir. Não tinha noção de que todos me viam daquela triste maneira. Eu tive que me sentar parar retomar o folego, para conseguir respirar, para tentar entender que visão equivocada era aquela que todos tinham de mim. Jamais havia me importado de ter sido tachado de diversas inverdades, mas doeu quando descobri que para aqueles que eram importantes para mim eu era um desconhecido sem inescrupuloso. Fiquei ali sentado por um longo tempo. Calado e vestindo sentimentos penosos demais continuei a me fazer varias perguntas.

Por onde andei fiz questão de deixar fragmentos de tudo de bom que poderia existir em mim. Todos os corações que fiz de morada tiveram a chance de conhecer o que de melhor existia em mim. Todos os momentos que me mostrei pareceram em vão. Eu já não sei onde foram parar todas as virtudes que eu imaginei ter. Não imaginei correr o risco de acabar sendo um mero desconhecido que jamais teve a chance de ser conhecido. Fiz o que estava ao meu alcance para ser o máximo de mim, não medi esforços para ser único e marcante, não exitei em ter atitudes cativantes e não fui nada além de mim.

Travei muitas batalhas contra tudo que tentasse me transformar em algo que nunca fui, mas não me recordo o momento que me desviei das minhas próprias características para me transformar um reles sujeito desconhecido.

Pela minha dignidade é que me silenciei, pois não tive a coragem de me remoldar baseado em visões equivocadas de um alguém que jamais fui. Eu não tive coragem de contradizer as palavras de seres que não me viram com o coração. Eu, mais uma vez, assumi o risco de ser sempre mal interpretado, pois escolhi que jamais mudarei quem decidi ser ou jamais cortarei minhas raízes mais uma vez.