23.9.16

SUBURBANO


Se eu sentisse falta de alguma coisa, eu sentiria falta de ver a minha avó cozinhar. Se eu pudesse reviver algum momento único, reviveria aquele dia em que vivi um momento feliz de junto da minha família. Se eu pudesse mudar alguma coisa em mim, mudaria a meu medo de viver o agora.

Nada me aconteceu simplesmente por acontecer, mas já tive muita vontade de compreender o objetivo de cada acontecimento triste ou feliz. Sei que não chorei a toa e não sofri simplesmente por sofrer, mas confesso que ficaria realmente satisfeito em saber o plano de cada coisa. Hoje, ao menos por hoje, não vejo a hora de conseguir reviver momentos tão bons. Não consigo me conter, pois desejo muito perder o tom de tristeza para sorrir em cada momento de leveza, para sentir cada instante de inocência e todos os dias de harmonia e união.

Não quero, pelo menos por agora, lembrar que sou o pobre preto do subúrbio que não tem nada de bom para oferecer, que é cheio de sonhos frustrados e é esquecido pela maioria da população. Quero intencionalmente deixar a minha luta social de lado, a realidade sofrida da minha família e não quero idealizar o dia de amanhã. Hoje quero estar ao lado de quem me ama, de quem vive a minha batalha, de quem me viu crescer e hoje me vê amadurecer.